Archive for the ‘Confissões de uma mente perigosa’ Category

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Parei

15 fevereiro, 2010

Resolvi cometer mais um blogcídio.

Depois de 5 anos e pouquinho, o Fogo nas Entranhas encerra suas atividades.

E são muitas as razões que me levaram a isso, mas a principal delas é minha falta de paciência com blogs, blogosfera e blogueiros em geral.

Outra, o fato de achar que já não tenho mais nada muito importante a ser dito que já não tenha sido feito por milhares de outras pessoas, milhares de vezes em milhares de blogs,  repassado por e-mail, retuitado,  postado no Facebook, Orkut blábláblá.

Enfim, usem o Google e sejam felizes.

Prefiro ser rápida e rasteira no Twitter e usar o Tumbrl – souldelicatessen.tumblr.com para minhas viagens particulares, seja com citações, fotos ou simplesmente onomatopéias jogadas a esmo na net.

Continuo com o http://www.usavel.wordpress.com, o http://www.superbebe.wordpress.com e o enfiaodedonocurry.wordpress.com porque – graças a deus – são blogs coletivos.

Mas, meu querido Fogo nas Entranhas,  enfim, apagou-se.

Pelo direito de me calar por achar que tem gente demais falando muito por aí. E mesmo assim, ninguém escutando.

Au revoir

Tenham uma boa vida e SAIAM da frente do computador, por favor.

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Ao sair, apague a luz

24 janeiro, 2010

Me olho no espelho e tudo o que vejo é  uma larga estrada de terra, coberta por uma neblina densa e baixa.

Ela é fria, ela é longa, ela é árdua, ela acaba.

Me perdi… em alguma manobra arriscada, por alguma palavra lançada, devido a roupa mal-lavada, quando rolei a escada, porque não disse nada, idéia entrecortada, calada, malfadada, pesada…

E quando você se dá conta, transformou-se em algo totalmente oposto a tudo o que você sempre quis ser…

Mas você nunca soube o que quis ser, afinal…

Viver dói

A única coisa que torna possível a identidade é a ausência de mudança, mas ninguém acredita de fato que se seja semelhante àquilo de que se lembra.

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Precisa-se

1 janeiro, 2010

Precisa-se de novos seres humanos para 2010.

Que tenham força. E paciência. E sabedoria. E muita ousadia. E coragem, claro, para  nadar contra a eterna,  suja e cada vez maior,  maré de mesmice  que nos encharca, dia após dia, enjoativamente previsível, revoltantemente precisa, acintosamente presente…mas nunca indestrutível.

Precisa-se de respeito e tolerância. De humanidade. De humildade. Não de falsa e fajuta e egoísta humildade, mas da verdadeira, aquela que nos faz reconhecer nossos limites e falhas, criando assim maior aceitação e perdão, para nós mesmos e para os outros.

Precisa-se de mais bom humor, menos exigências e cobranças, menos convenções e mais espontaneidade, mais criatividade, mais arte, mais dança, mais sexo, mais amor, menos dor.

Somos produtos das regras que nós mesmos criamos e  aceitamos.

Reveja, reforme, reinvente, renove.

Renasça

Reviva

Realize

Rock’n roll…

Feliz 2010.

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O inferno de Gabi

16 dezembro, 2009

Um belo dia, lá pelos idos de 1300 e alguma-coisa-bem-enlameada-bárbara-e-sombria, um italiano percebeu que sua mísera existência se resumia a apenas ser grosso, fazer pizza e maldizer a Deus-e-o-mundo. Assim sendo, tomou uma atitude e teve a única e brilhante idéia de toda sua vida. Largou de bater na mulher e resolveu descontar a raiva que sentia da humanidade e do Fiorentina num livro. Daí nasceu A Divina Comédia, o primeiro livro da história a enganar o leitor usando o título como estratégia de vendas. Depois vieram outros como Sexo Anal, de outro italiano inútil, mas isso não vem ao caso.

Em A Divina Comédia, o narrador discorre simétrica e perversamente sobre uma suposta odisséia através do Inferno, Purgatório, até a conquista do Paraíso, por meio do viés leve e neutro dos dogmas católicos, descrevendo cada etapa da viagem, com uma ênfase especial na travessia do Inferno. O livro é rico em detalhes que, dentre outras coisas, serviram de inspiração para diversos artistas ao longo da história. Isso sem falar de sua influência direta sobre obras cinematográficas e literárias tais como os documentários Faces da Morte e os livros de Paulo Coelho e Bruna Surfistinha.

Dizem também que, na falta de uma Playboy da idade-média, Torquemada se deliciava lendo A Divina Comédia. Enfim, curiosidades à parte, o autor, o tal italiano maluco e, como era de se esperar, machista e retrógrado, imaginou o Inferno mais ou menos como uma loja de departamentos de 9 andares onde cada piso (que ele chama de círculo), dispõe de variadas sessões de tortura para as almas condenadas a passar ali a eternidade. Assim como acontece com o corpo dos travestis, a coisa vai piorando a medida que se desce: quanto mais perto do 1º círculo você for condenado, mas fodido estará.

Portanto, se o pior pecado cometido em vida foi, por exemplo, ter sido político no Brasil, você não pagará nada por isso, será condenado ao 9º círculo com direito a banho de ofurô à base de enxofre, massagem feita por demônias de três tetas e um vale-pizza de aliche no final.

Agora, se você tiver sido uma pessoa realmente maldosa, mesquinha e totalmente nefanda, que pagava devidamente seu imposto de renda e ainda por cima cometeu o deslize imperdoável de ter roubado doce no supermercado ou comprado DVD pirata no Stand Center, lamentamos, mas aí é caso de danação eterna com a certeza dos suplícios indescritíveis reservados aos condenados ao 1º círculo.

Pois bem, assim como Dante estava entediado resolveu rabiscar um livro e deu que ficou famoso, eu também resolvi arriscar e baseado em sua obra criar o meu próprio inferno. 9 círculos repletos das coisas mais horripilantes que existem. De acordo com a minha ótica, claro:

9° Círculo: – Quem for condenado a este círculo, passará a eternidade pisando em chão molhado de meia, tomando óleo de fígado de bacalhau, ouvindo o barulhinho de unha riscando o quadro negro, sentará ao lado de pessoas que dormem em cima dos outros no ônibus, sofrerá ataque de besouros gigantes, passará a eternidade em filas que se destinam a lugar algum e ouvirá folk e pop-folk perpetuamente em alto e bom som.

Joan Baez, Peter, Paul & Mary, Creedence, CSN&Y, Eagles, James Taylor, BJ Thomas, Johnny Rivers, 5th Dimension, The Grass Roots e similares. De preferência Bob Dylan, bêbado (afim de que não entendamos a poesia de suas letras …ué..mas isso já acontece!) tocando Jokerman…num repeat forever.

8° Círculo: – Neste círculo haverá um congestionamento eterno. Todos os tipos de veículos motorizados enfileirados ad infinitum, buzinando freneticamente, motoristas se xingando, crianças chorando, cachorros latindo (Só o som deles. Pq crianças e cachorros vão para o céu, claro), ônibus lotados, mega-caminhões carregados de esterco ou de animais fedorendos, soltando uma quantidade absurda de monóxido de carbono no ar deixando o ambiente totalmente negro e as pessoas cobertas de fuligem, guardinhas da CET multando compulsivamente e ao final de 24 horas de suplício, uma enchente, para fechar com chave de ouro. Ou seja, o 8° círculo será basicamente o centro de São Paulo na hora do rush. Só que para sempre. Bwahahaha…! (risada maléfica)

De trilha sonora, Teen bands: Menudo, New Kids on The Block, N’Sync, Backstreet Boys, Christina Aguilera, Britney,Boyzone, The Calling, KLB, Take That e similares

7° Círculo: – Aqui, num rompante Kubricquiano, as vítimas serão amarradas a cadeiras de cinema, frente à tela, terão seus olhos arregalados forçosamente por meio de ganchos e assistirão, numa sessão sem fim, aos piores filmes ever tais como: Anaconda, Mulher-Gato, A Reconquista, Corpo em Evidência, O Máscara, Titanic, Velozes e Furiosos, Billy Jean, Dungeons&Dragons, Street Fighter, Howard the Duck, Hudson Hawk, Cool as Ice (a vida de Vanilla Ice), Lambada, Juiz Dredd, Ishtar, Spice World (das Spice Girls), Os Vingadores, The Apple, filmes do Cheech & Chong e mais uma infinidade de porcarias, além de escatológicos do tipo sexo bizarro: Calígula, Saló – Os 120 Dias de Sodoma (heheh..quem diria Pasolini no inferno!!!…) e qualquer outro produzido pela Black Vomit Produções.
E atenção: Todos os filmes serão pontuados pelo maldito comercial das CASAS BAHIA com aquele moleque retardado se movimentando feito um esquizóide, e esgoelando-se ao repetir, para todo o sempre – “Quer pagar quanto”? “Quer pagar quanto?” ” QUER PAGAR QUAAAANTOOO?” –

6° Círculo: – Neste círculo haverá um repeteco sem-fim da muvuca que imperou no último show dos Rolling Stones em Copacabana, em fevereiro de 2006. Sem show, é claro. Dois milhões e meio de pessoas suadas, fedidas, bêbadas, com os nervos à flor-da-pele, milhares de ambulantes te atropelando a todo o momento gritando ofertas de produtos de baixa-qualidade, comidas que não matam a fome, e líquidos que não saciam a sede, debaixo de um sol de 50 graus, à frente de um palco estupidamente longínquo afastando completamente toda e qualquer possibilidade de se assistir a qualquer coisa que possa vir a se apresentar no mesmo, gente sendo roubada, esfaqueada, espremida, vexada, abusada, e oprimida permanentemente.

Trilha sonora: Sympathy for the Devil, entoada pelo próprio, é claro.

5° Círculo: – Neste círculo, estarão reunidos todos os tipos de freaks seguidores de ideologias malucas existentes no mundo. Até aí, tudo bem, o inferno é democrático (!) mas agora vem o pior de tudo: tentando convencer insistente e perpetuamente a todos os presentes de que seu estilo de vida e suas idéias sim, é que são verdadeiras, únicas e absolutamente corretas.

Hare Krishnas entoando seus mantras, batendo tambores e tocando aqueles pratinho-de-dedo irritantes, dizendo que tudo é uma questão de renúncia e paciência, tentando vender seus livrinhos à membros dos Hell’s Angels gordos, fedorentos, peludos sujos de graxa, com barbas e cabelos enormes, camisetas da Harley-Davidson e da Jack Daniel’s velhas e rasgadas, se entupindo de coca, meta-anfetaminas e cerveja, arrotando e peidando o tempo todo, cantando ‘Born to be Wild’ em volta de uma fogueira onde motocicletas queimam, enquanto se divertem batendo em hippies que, por sua vez, dançam pelados, emaconhados, dão flores pra todos, até pro capeta, fazem o sinal de paz e amor, enchem a cabeça de LSD, tomam banho de lama (só de lama) abraçam árvores, balbuciam canções do Greatful Dead em uma rodinha escrota de violão e se esmeram em tentar proferir frases inteiras e coerentes a fim de persuadir grupos de punks, skinheads, headbangers, góticos, xíitas, sunitas, membros da TFP, da Opus Dei, Rastafáris, Panteras Negras, Ku Klux Klan, obreiros da Igreja Universal do Reino de Deus, Membros de Torcidas Organizadas de Futebol, Comunistas-trotskistas, Yuppies, Feministas-mal-comidas, Machistas-mal-fodedores, Straight Edgers, Emo/hard/grind-cores e qualquer outro tipo de fanático-insuportável a parar de se se esmurrar mutuamente. Ufa…

No meio do bate-cabeça interminável, panfleteiros de rua ainda estendem folhetos ininterruptamente, perguntando: “Você gosta de teatro?” “Você gosta de arte?” “Já tirou sua pressão hoje?” “Já possui convênio médico?…

Trilha sonora: Heavy Metal melódico muuito ruim do tipo Helloween, Angra, Gamma Ray e quetais.(Entendeu agora o porque o povo manda os outros para “o quinto dos infernos?”….Ok. Péssima)

4° Círculo: – Viver no Brasil, sem a parte boa (er…qual é mesmo?) Corrupção, Violência, Picaretagem generalizada, Miséria, Falta de respeito, de vergonha na cara, de vontade de dar certo, de saneamento básico, de saúde, de comida, de dinheiro, de educação, de cultura, de progresso, de civilização. Nas televisões, só programação da Rede TV e programas femininos com fofocas das celebridades e culinária engordativa. Todos com intervalos dominados pelo Horário Eleitoral. Continuamente.

Trilha sonora: Axé, Corno-music sertaneja, Pagode-farofa, funk carioca e qualquer coisa da música nacional ruim o bastante a ponto de dar vontade de sair correndo e gritando em desvario quando se ouve…tipo…Calypso.

3° Círculo: – No terceiro círculo estão os vendedores de loja chatos e sem-noção. Daqueles que vivem te azucrinando enquanto você só está pesquisando preços ou apreciando algum item da vitrine.

“Não quer entrar?? “Gostou desse sapato? Eu pego um pra você” “Deseja alguma coisa? Temos ofertas maravilhosas no interior da loja”…Aí você cede à pressão e entra. Porque ceder à pressões é estar no inferno…

Está decidida quanto ao modelo, cor e tamanho do produto que deseja e o pede ao vendedor….aí começa punição propriamente dita.

Ele volta com algo completamente diferente do que você especificou e ainda o força a aceitar:- “Olha, eu olhei no estoque e não temos o sapato marrom 36 bico fino que você pediu, mas eu trouxe esse tênis Air Max Super Mega Blaster, verde-limão e magenta, número 42 e que eu tenho certeza de que vai ficar uma graça em você! Porque não prova? A forma é super pequena, você vai se surpreender…”

Trilha sonora – Música de elevador a saber: Barry Manilow, Enya, Air Supply, Bread, Toto, Chicago, Christopher Cross, Olívia Newton-John, Peter Cetera, Kenny G, e Gary Moore…pode ser música new age tb…

2° Círculo: – Festas chatas em geral: Festas de fim de ano no trabalho, festa de criança, festa de família com parentes chatos, festa em comemoração da escolha do funcionário do mês, festa-comício, festa para promoção de qualquer tipo de jabá, festa do caqui, festa do morango, festa do suspiro de Pirenópolis, quermesses (quermesse no Inferno? Pois sim!), baile da saudade, Simpósio de Ufologia Espiritualista, de Reiki e Meditação Transcendental, Encontro Nacional dos Amantes de Anime e Karaokê Oriental, Encontro dos Trekkers Out of this Fucking Word, Star Wars Maniacs, Senhor dos Anéis Freaks Incorporated, Nárnianos de Plantão, Harry-Potterianos Internacionais, Amantes da Filatelia, Adoradores da Numismática, Tarados pela Telecartografia, Templários do Séc XXI, Dos especialistas em Nós em Gravatas-Borboletas, Dos conhecedores Nigerianos de Iguarias Epônimas, Dos Bacharéis Nos Sistemas Decimais de Dewey, Reunião de Condomínio, Reunião Internacional dos Juízes de Críquete, Dos Tradutores Especializados em Termos Militares em Somali, Dos Padres Especializados em Terminologias de Tonsura, Dos Médicos Especializados na Virose do Mosaico-do-Fumo, Dos Antitransubstancionalistas Sesquipedalianistas Eternos, dos Professores Lucasianos, Dos Profundos Admiradores das Técnicas de Assassinatos nos Romances de Miss Marple, Dos Cantores De Gritos de Guerra de Clãs Escoceses…

Trilha sonora: Bandas Cover de Churrascaria, Ray Conniff, Liberace, Richard Clayderman, The Harmonicats, Boston Pop Orchestra e Mantovani.

1° Círculo: – Rua 25 de Março num sábado anterior ao natal. Salto agulha e espartilhos apertadíssimos para todo o sempre. Coca-cola e cerveja quente. Falta de energia elétrica quando você está no banho e com a cabeça ensaboada. Choque Elétrico, Legalismo, Moralismo, Hipocrisia Machismo, Racismo, Preconceito, Ignorância e correlacionados, Gente Retrógrada, Insensível, Todo o tipo de prisão do corpo e da alma. E-mails Power Point de Auto-Ajuda, Toda e qualquer falta de liberdade, Comida ruim, Colchão ruim, Perfume ruim, Mau hálito, Chulé, Sexo ruim, Ausência de sexo, Frigidez, Ejaculação precoce, Impotência, Pegação de pé generalizada, Caganeira, Depilação à cera, Exame ginecológico para mulheres e de próstata para os homens, Endoscopia, Sujeira, Fedor, a Sandy, a Xuxa e é claro, BARATAS!

Trilha Sonora: Músicas da Sandy & Junior tocadas naquelas flautinhas da Pça da Sé…

(da série:  “Do tempo em que eu escrevia bons posts – data 08/2006)

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Acampamento do orgasmo

15 novembro, 2009

angelina

Se você não é chegada à vida selvagem, insetos, barracas e banho frio talvez mude de idéia com relação a acampamentos depois de ler esta breve nota.

Nos EUA, terra que dá origem aos maiores loucos e freaks do planeta, existe um acampamento focado em orgasmo, o Pussy Willow Ranch. Isso mesmo: um acampamento do orgasmo.

Mas não pense você que a equipe deste peculiar rancho é formada por atores pornô com barriga tanquinho que andam nus e livres pela floresta, de pau duro e gravatas borboleta, prontos a atender aos apelos carnais das acampantes.

Não, é tudo “muito profissional”. O acampamento foi desenvolvido por sexólogos para atender mulheres que tem dificuldade de alcançar o orgasmo.

Assistentes e auxiliares, chamados no acampamento de “deliberadores de orgasmo” munidos de luvas de borracha e muita boa vontade  “dão uma mãozinha” às mulheres que, desesperadas para aprender mais sobre si mesmas e seus corpos, sujeitam-se a sessões de masturbação assistida.

Os deliberadores garantem satisfação a toda prova: eles fazem as clientes do acampamento gozarem de uma a oito vezes por dia.

Meudeus, me fala se o mundo não tá acabando? A mulherada frígida tá se inscrevendo em acampamentos aonde aprendem a se masturbar? E para isso aceitam abrir as pernas para um total desconhecido vestido de branco, com luvas de borracha e dedo indicador besuntado de KY, numa ação totalmente automática, orgasmo on demand?

Ahhh shoot me and do it NOW!

Fiquei sabendo sobre esse tal rancho ao ler a entrevista da jornalista Mara Altman, a caçadora de orgasmo, na Marie Claire deste mês.

Eu, que ODEIO revista feminina, me interessei pelo exemplar de novembro porque já havia ouvido falar de seu livro “Thanks for Coming” e sua busca pelo orgasmo. Resumindo: a autora, então com 26 anos e transando há 10, de repente se deu conta de que nunca havia gozado na vida e partiu em busca do santo graal: o verdadeiro orgasmo.

Interessante, mas acabou descobrindo o óbvio: o orgasmo depende, em grande parte, de você e não só do outro.

Muito menos de se matricular em um acampamento de masturbação assistida.

Socorro.

A entrevista é tragicômica e você pode lê-la aqui:

http://tinyurl.com/ykwu3uo

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A queda

7 outubro, 2009

alice-falling

Ele chegou repentino e enérgico, tal qual uma Fênix recém saída das chamas. Ele estava totalmente vestido de preto e segurava uma cruz onde meu nome entalhado ardia.

Ele adentrou o recinto banhado em todo seu esplendor e glória.

Não pude acreditar no que os céus haviam finalmente me enviado.

Ele disse gentilmente, movendo seus lábios carnudos: – Dance pra mim, fanciulla gentil… E disse: – Ria um pouco, pois eu sou capaz de fazer seu coração bater… Disse mais: – Voe comigo, toque a face do verdadeiro deus…

E então eu chorei, imersa e tomada de alegria e amor…

Pois eu havia rezado por dias e noites a fio, a fim de que o Senhor me mandasse um sinal, procurei  em todo canto algo que trouxesse paz ao meu coração negro e vazio…

Oh, meu amor persistirá até que o leito do rio seque, e meu amor durará muito mais do que a o brilho do sol atravessando o do céu anil, oh meu amor sobeja a medida que o dia passa…

mas ele foi embora e agora…o que me resta?

Pois eu chorei por dias e noites a fio, a fim de que o Senhor me mandasse um sinal…ele está perto? Está longe?

Oh, traga paz ao meu coração negro e vazio…

Pois hoje, sim… amaldiçoo o dia em que te conheci. Ah hoje, aperto meus olhos mirando a mesma  porta pela qual você adentrou e  maldigo o dia em que te olhei nos olhos pela primeira vez.

Hoje murmurando entredentes, difamo o dia em que meus lábios encontraram os seus pela primeira vez…ah hoje eu grito e  abomino o dia em que fizemos amor…

Pois seu suor tatuou minha língua. Sua saliva envenenou meu sangue. Seu abraço entoxicou o meu corpo.
 
E o seu desprezo secou minha alma.

Conto baseado na canção The Dancer – PJ Harvey, do disco “To Bring You My Love” 1995 , dedicado à Luiza e à todas  que se apaixonaram…e um dia se desapaixonaram, de um homem.

Dois momentos definitivamente mágicos e marcantes na vida de toda mulher.

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Unplug yourself

3 setembro, 2009

Semanas atrás aconteceu o que talvez tenha sido o primeiro suicídio online que tivemos notícia no Brasil.

Uma mulher de 33 anos, mãe de uma criança de 4, separada, ótima profissional, MBA em Harvard, bem de vida e, por um lúgubre acaso, ex-funcionária da empresa em que trabalho, postou sua última e derradeira mensagem através do site de relacionamentos Twitter, despedindo-se do ex-marido, dos amigos e deste mundo cruel, suicidando-se logo depois, tomando uma dose cavalar de remédios e enterrando uma faca no peito.

Parece uma adaptação barata de um romance de Nelson Rodrigues para os tempos de internet, mas não é não, meu povo.

É verdade. Infelizmente.

Isso me fez pensar, é claro, em uma torrente de coisas, idéias, teorias, conjecturas, conclusões e tudo me levou a uma única dedução : ela era sozinha. E isso, encabeçando uma outra cadeia imensa de fatos, sentimentos e  escolhas a levou a tomar esta trágica decisão.

Grande coisa. Todos somos sós, não é mesmo? Todos trazemos dentro de nós certa dose de solidão. Ela é necessária para que alcancemos o tão almejado e delicado equilíbrio emocional, inda mais nesses tempos doidos.

Acontece que esses tempos doidos dos quais tanto falo, justamente esses em que vivemos, onde mais do que nunca temos pleno e total acesso à qualquer tipo de informação e onde ferramentas que colaboram para a convivência, relacionamento, discussões e colaborações são cada vez mais usadas pelas pessoas, talvez figurem entre os tempos mais solitários que a humanidade já viveu.

Por incrível que pareça, quanto mais nos relacionamos virtualmente, menos isso acontece na vida real.

O fato da moça ter comunicado seu SUICÍDIO via Twitter foi a maior e mais triste prova disso.

E quanto menos reais os relacionamentos, mais fúteis, efêmeros e inúteis eles serão.

E mais solitários seremos.

Obviamente que, você que me lê nesse instante, deve saber que não é preciso estar desacompanhado para senti-se só. Estar, ficar e sentir-se sozinho pode ser uma experiência prazerosa e produtiva, tudo dependerá do controle do indivíduo sobre a própria solidão. E aí entramos em outra esfera, mais densa, poética e etimológica, a que separa solidão e solitude.

No português o significado das duas palavras ainda se embaralham, mas em inglês a definição de ambas é bem esclarecedora: solidão é estar só por força das circunstâncias. É sentir-se só, isolado, desacompanhado, abandonado. Pode também ser descrita ou sentida como falta de identificação compreensão ou compaixão alheia. “Loneliness”, seria  a palavra inglesa que mais se aproxima de nossa conhecida “solidão”.

Já solitude é o estado de se estar sozinho e afastado das outras pessoas, e geralmente implica numa escolha consciente, onde optamos por ouvir o silêncio de nossa alma, pela calma, pela continência de sentimentos, uma espécie de meditação, isolamento da realidade, mas com finalidade positiva. É o inusual e pouco usado/conhecido “aloneness”.

Assim, estar “alone” e “lonely” são duas condições diferentes. E talvez nossa vítima sofresse de ambas. Uma em razão da outra. Um reflexo de nossos tempos.

Talvez ela simplemente quisesse fugir, mas hoje em dia, nem isso mais é possível. Uma vez na internet, você pode ser encontrado, aonde quer que esteja.

E aí recorre-se ao escapismo. Que em grande escala acaba gerando alienação, perda de foco, falta de auto-conhecimento, ignorância, intolerância com o próximo e…solidão.

Outro dia, lendo uma pesquisa de produto para uma campanha  fiquei estarrecida com estatísticas que apontavam que 60% crianças brasileiras na faixa etária de 7 a 11 anos usavam ferramentas sociais online e games para “escapar” e “aliviar” as pressões do dia-a-dia. (me dou o direito de não citar nomes, nem da campanha nem do orgão de pesquisa)

60%…CRIANÇAS. Pressões do-dia-a-dia. Meudeusdoceu, se crianças de 7 a 10 anos precisam escapar da dura realidade que as cerca ( e eu fico aqui tentando imaginar qual seja) o que nos resta?

Eu trabalho cerca de 10h na frente do computador. Tenho casa, família e tento, a todo custo, manter uma vida social saudável. Eu só consigo isso me desconectando. Só me disciplinando a NÃO ligar o computador quando chego em casa. A não ficar tentada a mandar um e-mail, mais asséptico, muito mais rápido e indolor do que falar com meus amigos ao telefone, do que marcar um encontro.

Fiquei chocada com a morte brutal da garota. E muito mais, com a forma como foi anunciada. Um bilhete suicída virtual. O que pensaram seus amigos, “seguidores” e afins, quando leram a nota? Que ela estava brincando? Que estava sendo sarcástica? Que estava apenas se despedindo frugalmente, depois de um dia excruciante de trabalho?

O que se passa na cabeça deles agora?

Poderiam ter feito alguma coisa? Como não perceberem isso antes? Como poderiam ter impedido tal tragédia?

Não, nada poderia ter sido feito. Não virtualmente.

Apenas pessoalmente.

Mas isso, de se relacionar de verdade dá muito trabalho, não é mesmo?

Desconectar-se é preciso.