Archive for the ‘Gonzo Rules!’ Category

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Rock em trilhas

8 fevereiro, 2010

Outro dia estava aqui, fuçando em  minha DVDteca (que ainda possui diversos exemplares dos decréptos VHs)  percebi que possuo vários filmes onde a trilha sonora, se não faz as vezes de carro chefe, funciona/funcionou como grande chamariz na promoção de tais películas.

Faz todo o sentido:  se você gosta de rock e cinema, porque não  juntar as duas coisas e adquirir um filme com uma puta trilha sonora?

Como amante do bom e velho roquenrou, me ative ao gênero e confesso:  por vezes a qualidade cinematográfica deixa a desejar, mas olha, a trilha vai satisfazer, garanto.

Eu que não sou afeita a listas, decidi até fazer uma, com o melhor do rock em trilhas. Vamos começar com a década de 80, olha só:

– La Bamba (1987) – Como vocês já sabem, conta a versão romanceada da vida de Ritchie Valenz, que morreu aos 17 anos, no auge da carreira, no desastre de avião que tb matou Big Hooper e Buddy Holly, interpretado no filme por Marshal Crenshaw. Aliás, Brian Setzer tb faz uma ponta como o roqueiro Eddie Cochrane. A trilha sonora traz material de gravações da época e composições de Carlos Santana. Bem legal.

-Candy Mountain (1987) – Eis um filme que tinha tudo para dar certo: é filmado em preto-e-branco, tem a direção de fotografia de Robert Frank (The Americans, diretor de alguns dos melhores clipes do Rolling Stones, fotógrafo de mão cheia) é um filme on the road, sobre um cara que desbrava as estradas lindíssimas do Canadá atrás de um lendário luthier de guitarras, conta com Tom Waits e Joe Strummer (Clash) no elenco, mas se perde no meio de tantas possibilidades e não chega a lugar algum…. Trilha sonora com colaborações de Waits e outros presentes no elenco, como o pianista Dr. John e do cantor Buster Poindexter. E Waits, sabe como é: até quando é ruim, é bom.

– A Encruzilhada – (1986) – A trama é aquela coisa do garoto que quer ser um bluesman e ruma à terra natal do estilo para chegar à famigerada encruzilhada onde, segundo aa lenda, grandes nomes do gênero haviam feito um pacto com o demônio para ter fama e fortuna. Traz o eterno karatê-kid, Ralph Machio no papel principal e trilha sonora com Steve Vai e Ry Cooder, o que por si só, já vale o filme.

– Os irmãos Cara de Pau – (1980) – Dois irmãos trambiqueiros (os ótimos John Belushi (R.I.P) e  Dan Aykroyd) passam o filme tentando reunir sua antiga banda de blues para um show de arrecadação de fundos para o orfanato onde cresceram. Trilha ÓTIMA com a banda Blues Brothers, James Brown, Ray Charles e Aretha Franklin. Não é o rock mas é o pai dele.

Sexo, Drogas e Rock ‘n Roll (1986) – Dogs in Space, no original, traz o falecido Michael Huthence (INXS) em uma trama rocambolesca. A trilha sonora é mais legal com clássicos dos 80’s.

Sid&Nancy – O amor mata – (1986) – Gary Oldman encarna Sid Vicious e seu relacionamento suicida com Nancy Spungen. A ótima trilha inclui John Strummer, John Cale, The Pogues e Pray for Rain.

Heavy Metal do Horror – (1986) Sessão da tarde para os metaleiros: Ozzy Osbourne é um padre e Gene Simmons um DJ, numa espécie de trama que lembra O Chamado, só que “suecado” rs.

Gene Simmons entrega a matriz do último trabalho de um ídolo do rock recém-falecido a um de seus maiores fãs, que, depois disso passa a sofrer opressão demoníaca. Adivinhem quem vem ajudar? Father Ozzy!

Divertido, no mínimo. Trilha sonora com os astros citados.

Histórias Reais (1987) – Outra bizarrice de David Byrne que mais parece um episódio de Além da Imaginação. Participação do John Goodman e trilha sonora do Talking Heads, é claro.

A Pequena Loja de Horrores (1986) – Comédia musical com atmosfera B IMPECÁVEL. Plantinha bizarra faz loja falida ter sucesso novamente, mas sofre estranhas mutações durante o processo. Com os impagáveis Rick Moranis e Steve Martin, no papel do dentista sádico que permeia meus pensamentos até hoje, quando me sento na maldita cadeira para tratar dos dentes.

Pink Floyd – The Wall (1982) – Filme homônimo ao famoso disco da trupe britânica, dirigido por Alan Parker que emprestou um tom psicodélico e até avant-garde, para a época. Com participação de Bob Geldof (alguém pode me dizer no que o Bob Geldof NÃO ESTÁ envolvido?)

Home of the Brave (1986) – Manifesto cultural encabeçado por Laurie Anderson. Trilha com Lou Reed, entre outros cools. Cabeçudaço.

Birdy – Asas da Liberdade (1985) – Filme de Alan Parker com Michael Modine e Nicolas Cage. Trilha sonora de Peter Gabriel, que também compôs a trilha de A Ultima Tentação de Cristo, de Martin Scorcese, um de meus filmes prediletos, by the way)

Anos de Rebeldia (Out of the Blue – 1980) – Eis que depois de Easy Rider, Dennis Hopper deu pra achar que era diretor e que entendia de rock. (se bem que ele fez Colors, as cores da violência, que eu acho bom…) Diz ele que o filme foi inspirado na canção Hey, hey, my, my de Neil Young, mas, sei lá. Trilha recheada de referências, desde Elvis até punk.

Easy Rider (1969) – Arquétipo do Road Movie que surgiu ainda no meio da onda hippie. Muito sexo, drogas e rock’nroll. Falando nisso, trilha sonora com Jimi Hendrix, The Byrds, entre outros. Clássico.

American Graffiti (Loucuras de Verão) – 1973) – Sim, George Lucas existia antes de Star Wars e dirigiu American Grafitti, uma espécie de Beleza Americana dos anos 50. O retrato de uma geração e uma época. Trilha sonora recheada de clássicos do rock na virada dos 50 para os 60. Cult.

Paris, Texas ( 1984) – filme lírico de Wim Wenders, apesar de se passar no clima austero do deserto Destaque para a trilha sonora maravilhosa de Ry Cooder e suas slide guitars.

Pat Garret e Billy the Kid – (1973) – Wester intenso. poético e violento com trilha sonora de Bob Dylan (que tb atua no filme) Ah, dirigido por Sam Peckinpah, do célebre – Meu Ódio Será Sua Herança.

Repo Man, a onda punk – (1984) – Suspense policial pós punk apocalíptico em que Emilio Estevez é o repo-man, homem que recupera os automóveis que foram comprados, mas não pagos. Trilha sonora magnífica encabeçada por Iggy Pop, Clash, Circle Jerks entre outros. Não tem NADA a ver com o filme Repo Men, com Jude Law e Forest Whitaker que chegará às telas este ano ainda.

Absolute Beginners  (1986) – Meu lindo e maravilhoso Bowie é um empresário ardiloso na Londres de 58 que tenta  embrenhar o protagonista Eddie O’Connel em suas tramas  desonestas. É fraquinho, meio novela-da-Globo, mas tem como carro-chefe a canção homônima do meu ídolo.

Apenas um gigolô  ( Just a Gigolô, 1979) – Farsa político-musical com Bowie, agora em um momento melhor. Este filme fica ainda melhor a medida que o tempo passa. Entre os rapazes que trabalham para uma famosa cafetina (a incrivelmente incrível Marlene Dietrich) está o atrapalhado Bowie, soldado covarde que foi considerado herói por uma casualidade na Alemanha do final da Primeira Guerra Mundial. Filme irônico com relação ao nazismo e com trilha do Bowie.

Cry Baby ( 1985) – Ricos caretas X pobre rebeldes. No lugar de James Dean, Johnny Depp. Trilha sonora cheia de clássicos do rock e participação de Iggy Pop como o estranho tio de Depp.

E por enquanto é só senão esse post fica MUUITO LONGO!

Em breve, cenas do próximo capítulo ou Rock em trilhas vol II – Anos 90 e 00!

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Vida de baixo impacto

18 novembro, 2009

Colin Beaven é um cara corajoso. Cansado de engordar as estatísticas e fazer parte da população que mais polui o mundo (a saber: os americanos) propôs à sua família viver um ano de “baixo impacto” ao meio ambiente.

Não usou elevador, nem carro, nem táxi nem avião, não viu televisão e só fez refeições em casa, com alimentos comprados na feira local.

Beaven acabou escrevendo um blog que acabou virando um livro e, finalmente um documentário – No Impact Man

Sacrifícios à parte, a mudança radical de habitos fez o americano perder 9 (!) kgs sem ginastica alguma.

Sem falar do relacionamento em família, já que longe da TV tornou-se um pai muito mais participativo.

Acho digno e estou pensando seriamente em fazer igual.

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Toda forma de poder

15 maio, 2009

 

Humberto Gessinger, o líder, crooner e letrista da banda gaúcha Engenheiros do Hawai não passa, nem de longe, no meu rol de ídolos do rock. Mas, tenho que reconhecer que, entre rimas fáceis, mal-ajambradas e muitas vezes ridículas, ele certamente produziu algumas pérolas de franca inspiração, tal como a letra da canção que empresta seu título a esse post –

Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada. Toda forma de conduta se trasforma numa luta armada. A história se repete mas a força deixa a história mal contada… o fascismo é fascinante deixa a gente ignorante e fascinada. É tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda tá errada. Eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada. –

Fui convidada pelo meu ilustre amigo-blogueiro-e-colega-de-faculdade, Alexandre Inagaki a uma blogagem coletiva referente à lembrança dos três anos de ataque do PCC (Primeiro Comando da Capital) à cidade de São Paulo, em maio de 2006.

Me lembro como tudo começou. Literalmente por conta da transferência dos líderes da facção (entre eles: Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola) para a prisão interiorana de Presidente Wenceslau e para a sede do Deic, aqui perto de casa em Santana, zona norte da capital.

Por conta disso, policiais, civis e praticamente toda a cidade de São Paulo, mais de 18 milhões de habitantes, uma das maiores cidades da América Latina, se viu à mercê de um grupo que, guardadas as devidas proporções, não fez nada mais nada menos qu aterrorizar a população, assassinando policiais, civis, estipulando “toque de recolher” e depredando patrimônio público, como forma de retaliação, revolta e demonstração de poder, num jogo desonesto, desumano, egoísta, tirano.

Se isso não é uma forma de terrorismo, me expliquem então o que é, porque acho que não entendi.

Na época foi o maior bafafá e assuntos públicos antigos e inacabados inevitavelmente vieram à tona. A questão da reforma do sistema prisional, do treinamento e ação policiais, reforma do judiciário, violação e limites dos direitos humanos no sistema carcerário, o governador na época (Cláudio Lembo) declarando que os ataques “eram previsíveis”, a opinião pública questionando: “se eram previsíveis porque não foram impedidos?” E enfim, como tudo no Brasil, muito barulho por nada. Não aconteceu nada, não deu em nada.

Vidas foram tiradas – estivessem elas envolvidas ou não, certas ou não, não cabe a nós o julgamento de pena de morte. Não cabe à ninguém. Cabe a nós medidas legais compatíveis com os crimes e não justiça pelas próprias mãos, porque esse caminho é tortuoso, cheio de atalhos, relatividades, ambiguidades – a cidade sitiada, pessoas apavoradas e, vejam só: pra nada.

Eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada. Ontem, uma criança de 11 meses foi atirada, em chamas, pela janela de um ônibus na zona leste de SP (como bem me disse o Mr. Music).

 O que vai acontecer depois disso? Nada.

Você leu isso no jornal e provavelmente nem se lembra mais. O jornal vai virar banheiro de cachorro, embrulho de peixe…e esse bebê? Vai virar o quê? Um cidadão de bem? Ou um outro Marcola, revoltado, com 90% do corpo queimado, insandecido e doente para descontar na SOCIEDADE QUE NÃO FEZ NADA?

Literalmente nada. Nem a favor dele, nem contra ele.

 “Ou morre-se como herrói ou vive-se o bastante para se tornar o vilão?”.

É uma espiral descendente constante, é um Oroboros de erros, é a lei do eterno retorno, é um inferno perene.

Tudo por conta de jogos de poder. O poder público versus a polícia, versus criminosos versus á sociedade civil versus criminosos versus a policia versus o poder público.

Eu respeitei os toques de recolher na época e fiquei sabendo de colegas que tiveram membros da família, que faziam parte da Polícia Civil, mortos nos ataques.

Mas eu respeitei por medo. O medo é uma forma de poder. Um dos recursos mais utilizados no Brasil, aliás…e como disse o filósofo bufão, Humberto Gessinger : “toda forma de poder é uma forma de morrer por NADA”.

Yeah, yeah.

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A verdade sobre os fatos

13 maio, 2009

 

“Como determinar o que é “fato” ou “verdade” quando fabricamos os dois?”

Certo, imprensa brasileira?

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O jornalismo subiu no telhado

24 abril, 2009

O Estado de S.Paulo – Link – 06/04/2009 – Pág. L2

Na verdade, o filósofo Jonathan Mann não é jornalista por formação. Faz parte de uma geração privilegiada que terá assistido a duas mudanças fundamentais na forma de se produzir e distribuir notícias. Uma é a profissionalizaçã o e a massificação do século 20.

Outra é a que está a pleno vapor hoje, quando jornais impressos precisam se reinventar sob o impacto da internet e dos novos hábitos digitais. Em visita ao Brasil, Mann foi enfático: “A hierarquia morreu”.

No Brasil, diferentemente dos EUA, há cursos de graduação em jornalismo e obrigatoriedade de cursá-los para exercer a profissão. Você é filósofo. Qual geração está mais preparada para a função?

 Antigamente eram jornalistas os bêbados, boêmios, aventureiros, pessoas que gostariam de ser escritores, gente que não encontrava outro emprego. Depois, em muitos países o jornalismo virou profissão.

E então jornalistas passaram a ser mais parecidos com médicos do que com carpinteiros. A parte boa é que empresas começaram a investir em comunicação como negócio e a qualidade aumentou. Mas a parte ruim é que só estar formado basta. Grandes jornalistas, na verdade, precisam ser pessoas curiosas e atentas.

Por outro lado, todos os meus erros como profissional foram cometidos em jornais e na TV. Os estudantes têm a vantagem de cometer esses erros na escola.

Que tipo de jornalistas serão as crianças de hoje?

O jornalismo estará irreconhecível. Estamos passando por mudanças dramáticas causadas pela internet e por redes como o Twitter e o Facebook. Nas comunidades de antigamente só havia o padre e o médico que sabiam ler e, portanto, podiam compartilhar conhecimento. Depois, as pessoas tiveram acesso a livros, jornais, televisão e o conhecimento passou a ser mais bem distribuído. Mas, mesmo assim, os jornalistas, escritores, produtores dos programas de TV eram os mais poderosos. Hoje cada um pode ter seu próprio site, sua própria televisão.

A hierarquia morreu. Acabou e a ideia de que o jornalismo é uma centena de pessoas inteligentes reunidas num prédio informando milhões de idiotas.

O iReport, site de “jornalismo cidadão” da CNN, é um exemplo de nova economia?

É o começo de algo que a gente não sabe onde vai dar. O monopólio está encerrado. Qualquer um pode ser jornalista.

Os jornais americanos estão em crise. Na Europa há medo, como no Brasil. É um problema só da mídia impressa? As emissoras de TV também estão em perigo? (Pausa longa). Sei que os jornais estão (em perigo)… Acho que a crise é dos jornais, não das notícias. O New York Times, o Times (de Londres), o Liberation (Paris), todos ainda podem existir como sites. O papel não será mais necessário. A TV também não será. Ela está na internet, no celular. A questão está em como as notícias serão distribuídas, é uma crise de distribuição.

Televisão é o principal meio da sociedade de massas, em que vivíamos antes da internet. Há espaço para a padronização total na era de hoje, caracterizada pelas pequenas comunidades, pelos nichos e interesses específicos? Boa questão. A televisão precisará seguir o caminho da indústria de cinema. Há determinados programas de nicho que são vistos em todo mundo, é uma audiência global dentro dos interesses específicos. Isso determina um novo modo de

Ao mesmo tempo que o mercado se tornará mais fragmentado, sem o monopólio de grandes grupos de mídia, não haverá uma quebra completa de modelo.

Pesquisa recente da PewResearch mostrou que 57% dos americanos não ligariam caso os jornais de suas cidades fechassem. O que acha disso? Não creio. Já fiz jornalismo local, nacional e internacional e as notícias pelas quais as pessoas mais se interessam são o preço do estacionamento, crimes na vizinhança, clima, preço da comida no supermercado e os jogos do time local. Elas se importam com o que acontece ao redor. O desafio dos jornalistas é identificar e penetrar nesse mundo.

Mas as pessoas precisam mesmo de jornalistas profissionais para trazer essas informações?

Acho que não. Havia o tempo em que, para falar com Deus, as pessoas precisavam recorrer aos padres da Igreja Católica. Eles tinham o conhecimento, eram os únicos autorizados. Com o tempo e o avançar da História, todos perceberam que podiam falar com Deus diretamente. Os jornalistas tradicionais seriam os novos padres. Pela internet, no Twitter, no Facebook, as pessoas podem falar com Deus sem intermediários. A História mostra que esses jornais e jornalistas serão atropelados.

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Eu acho bom e ruim. Vamos ter que repensar toda a teoria da informação, notícia e jornalismo.

E do jeito que o povo anda sem noção, eu tenho medo.

Ainda bem que meu lado produtora está estável e em franca ascenção.

Mas meu sonho, eu confesso, é vender coco em alguma praia da Bahia.

Eu chego lá.

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X-Men Origens – Wolverine

21 abril, 2009

Bem, vocês estão cansados de saber que sou colecionadora ávida de quadrinhos, desde os meus 8 anos de idade, sou repórter e colaboradora do programa – Banca de Quadrinhos e colaboradora da revista Mundo dos Super-Heróis, ganhadora por dois anos consecutivos do prêmio HQMIX de melhor publicação sobre Quadrinhos no Brasil.

Não que isso signifique muita coisa, mas alguma coisa deve significar quando, por exemplo, eu postar aqui algum texto referente a quadrinhos (dê um search em “comics” ou “Quadrinhos” lá embaixo, na ferramenta de search do blog).

Espero que haja portanto, alguma credibilidade, ao menos na abordagem desse assunto em especial.

Passei esse feriado de 21 de abril em SP mesmo e aproveitei para curtir o gostoso do Hugh Jackman: Vi Australia e X-Men – Origens: Wolverine.

Sobre o primeiro, me abstenho de maiores comentários. É aquela coisa Baz Luhrman: história de amor, tragédia, música e final feliz, tudo isso acompanhado de uma produção de cair o queixo. The End.

Mas é claro que eu estava ansiosíssima para assistir X-Men Origins, que conta a história de um de meus heróis prediletos: Logan, codinome: Wolverine e que foi devidamente BAIXADO da internet, of course.

Sou uma marvete declarada, sempre preferi os personagens e histórias da Marvel às de sua concorrente, DC Comics, justamente porque eles parecem mais próximos dos leitores do que os super aliens vindos de galáxias distantes propostos pela DC.

Bem amigos, eu vou dizer: a Marvel é bem mais poderosa do que eu pensava.

Ela tem o poder absoluto de FODER com os filmes dos meus personagens prediletos, a saber: Demolidor, Elektra e agora, Wolverine.

AINDA BEM, que o Batman é da DC, se livrou de figurar tal lista. Aliás, costumo dizer que Batman é o personagem mais Marvel da DC, mas enfim…

Acho que o diretor de X-Men Origins levou o termo “arte sequencial” muito a sério ao dirigir tal película.

Sim, porque o filme é um amontoado de cenas de ação que deveriam de alguma forma contar a origem de Wolverine, mas não existe fato relevante e elucidativo que ligue uma cena à outra.

Depois parei e pensei: “será que não estou sendo nerd xiita, por saber exatamente toda a história do Wolverine, inclusive suas reviravoltas e histórias que não fazem parte da cronologia oficial do personagem?”  

Sendo assim, tentei enxergar a coisa do ponto de vista do espectador leigo, que não faz a mínima idéia de onde surgiu aquele cara maluco, peludo, que quer passar a faca (ui!) em todo mundo no filme dos X-MEN.

E aí percebi uma coisa mais grave ainda.

Quando começou nos quadrinhos, Wolverine não passava de um sidekick (ou coadjuvante) criado por Len Wein, que estrou em uma história do Hulk em 1974.

Anos mais tarde, foi integrado aos X-Men pelo roteirista David Cockrum e ganhou vida e uma história interessantíssima nas mãos de um dos grandes roteiristas do grupo mutante: Chris Claremont.

Segundo a cronologia oficial, Wolverine é um mutante que, além de grande força física,  possui um fator de cura poderosíssimo, por conta disso não envelhece e não adoece, além de um faro e instintos apurados como os de um animal e que ainda garras ejetáveis, provenientes de seu próprio sistema ósseo.

Seu passado é obscuro, mas existem registros de que se tratava de um cidadão canadense e que foi um grande soldado que lutou em inúmeras batalhas, desde a 1ª Grande Guerra.

Depois de sofrer algumas perdas e agruras da vida, decidiu ser ermitão, isolar-se do mundo, de tudo e de todos. Sendo assim, suas poucas aparições sociais se davam em algum boteco de lenhadores onde gastava praticamente todo o seu dinheiro ganho em algum bico onde atuava como trabalhador braçal.

Ao descobrir seu dom, um coronel do exército que tinha a idéia de transformá-lo em um super-soldado o SEQUESTRA e o submete à uma experiência inédita: reveste seu esqueleto com a liga metálica mais poderosa e dura da face da Terra, o Adamantium (tal substância é ficctícia).

Durante o processo, dolorosíssimo e feito à sangue-frio, a memória de Logan (nome que consta em sua plaqueta de identidade do exército) é total e completamente apagada. E ele desperta do processo uma criatura ainda mais raivosa, angustiada, perdida, violenta e obscura do que quando foi pego.

Em um acesso animalesco de raiva ele dizima a equipe de médicos que o tomou como cobaia e sai pelas estradas gélidas do Canadá e…bem, a partir daí vocês já conhecem.

Esse é, na verdade, o charme e o brilhantismo de Wolverine. Ele não sabe quem ele é, de onde veio, como se transformou no que é e nem porque está aqui. Ele é um homem que precisa controlar seus instintos animalescos a todo momento e a qualquer custo, porque é uma máquina de matar. “É o melhor no que faz, e o que ele faz não é nada bonito”.

Anos mais tarde, nos anos 90, a Marvel lança o encadernado ORIGINS que fez um tremendo sucesso quando foi lançado, mas não convenceu os fãs do carcaju*, onde conta a origem verdadeira de Logan, que na verdade se chama James Howlett e remonta ao séc XVII com algumas revelações surpreendentes e outras completamente indiferentes para a cronologia do herói.

Bem, depois desta breve explicação sobre a história de Wolverine, agora faz sentido o que vou dizer.

No filme, ele NÃO PERDE a memória. E isso, convenhamos, muda com-ple-ta-men-te a essência do personagem. E o faz parecer um babaca com crises de identidade.

Na boa, eu não sou aquele tipo de nerd que espinafra todo e qualquer adaptação dos quadrinhos para as telonas, muito pelo contrário, até incentivo e compreendo que muita coisa precisa ser adaptada na transição de uma mídia para outra, mas, falando como produtora, jornalista e colecionadora de quadrinhos: mudar a essência de um personagem NÃO é, de forma alguma, uma dessas coisas.

O mesmo aconteceu com Demolidor, que nos gibis foi treinado em suas habilidades especiais e nas artes marciais por um mentor, que por acaso foi o mesmo de Elektra, um velho cego chamado Stick. E isso  é crucial para sua história.

Ainda falando de Elektra e tomando a adaptação cinematográfica como (mau) exemplo, praticamente toda sua história foi alterada. Mas um ponto culminante em sua cronologia e que define a personalidade e motivação da personagem como a morte de seu pai, por exemplo foi total e completamente corrompida, não tendo nada sido mantido da versão original.

Coisas assim, me chateiam.

Porque o público que por acaso se interessar pelo personagem e resolver adquirir os gibis com suas histórias, vai se decepcionar deveras, além de ficar completamente perdido em todos os sentidos.

Muito, muito ruim a Marvel concordar com tais adaptações e não entender que, não basta divulgar e difundir seu personagem, é preciso divulgar o personagem VERDADEIRO.

Porque este  sim, terá apelo junto aos fãs o que consequentemente aumentará venda de merchandising, o que parece ser o real motivo de lucro da empresa, pelo visto.

Mas, acima de qualquer  margem de lucro deveria haver ao menos respeito. Pelos criadores, ilustradores, mas principalmente, pelos fãs.

Por essas e outras coisas que X-Men Origens: Wolverine é uma MERDA total.

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TV Eye

7 abril, 2009

Segunda dia 13/04 às 22h no canal Futura estréia o glorioso programa “No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais” que eu, a serviço da Primo Filmes, ajudei a produzir.

O programa é muito legal, dinâmico, didático e tenta traçar  os rumos do audiovisual no Brasil e no mundo.

A princípio fiz teste para apresentá-lo. Mas uma atriz me venceu rsrsrs. Com mérito, porque ela é ótima e a cara do programa.

Mas como eu jogo em todas as posições, passei para a produção e não deixei de achar um tesão.

Não deixem de assistir, quem dirige o programa é o Cao Hamburger (Castelo Rá-Tim-Bum, o Ano em que meus pais sairam de férias) e os roteiros são Teo Poppovic e Pedro Caruso (ex roteiristas MTV)

Amanhã também vai ao ar o Banca de Quadrinhos que participei – www.programabancadequadrinhos.com (já participei do Prog 31). Eu vivo lá, óbvio, mais como repórter, só que dessa vez fiquei no estúdio elogiando/metendo pau em alguns gibis.

É isso aí. Cuidado com a TV que a TV te pega.

 

Assistam depois me falem.