Archive for the ‘Matei a família, fui ao cinema e fiz um post’ Category

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Rock em trilhas

8 fevereiro, 2010

Outro dia estava aqui, fuçando em  minha DVDteca (que ainda possui diversos exemplares dos decréptos VHs)  percebi que possuo vários filmes onde a trilha sonora, se não faz as vezes de carro chefe, funciona/funcionou como grande chamariz na promoção de tais películas.

Faz todo o sentido:  se você gosta de rock e cinema, porque não  juntar as duas coisas e adquirir um filme com uma puta trilha sonora?

Como amante do bom e velho roquenrou, me ative ao gênero e confesso:  por vezes a qualidade cinematográfica deixa a desejar, mas olha, a trilha vai satisfazer, garanto.

Eu que não sou afeita a listas, decidi até fazer uma, com o melhor do rock em trilhas. Vamos começar com a década de 80, olha só:

– La Bamba (1987) – Como vocês já sabem, conta a versão romanceada da vida de Ritchie Valenz, que morreu aos 17 anos, no auge da carreira, no desastre de avião que tb matou Big Hooper e Buddy Holly, interpretado no filme por Marshal Crenshaw. Aliás, Brian Setzer tb faz uma ponta como o roqueiro Eddie Cochrane. A trilha sonora traz material de gravações da época e composições de Carlos Santana. Bem legal.

-Candy Mountain (1987) – Eis um filme que tinha tudo para dar certo: é filmado em preto-e-branco, tem a direção de fotografia de Robert Frank (The Americans, diretor de alguns dos melhores clipes do Rolling Stones, fotógrafo de mão cheia) é um filme on the road, sobre um cara que desbrava as estradas lindíssimas do Canadá atrás de um lendário luthier de guitarras, conta com Tom Waits e Joe Strummer (Clash) no elenco, mas se perde no meio de tantas possibilidades e não chega a lugar algum…. Trilha sonora com colaborações de Waits e outros presentes no elenco, como o pianista Dr. John e do cantor Buster Poindexter. E Waits, sabe como é: até quando é ruim, é bom.

– A Encruzilhada – (1986) – A trama é aquela coisa do garoto que quer ser um bluesman e ruma à terra natal do estilo para chegar à famigerada encruzilhada onde, segundo aa lenda, grandes nomes do gênero haviam feito um pacto com o demônio para ter fama e fortuna. Traz o eterno karatê-kid, Ralph Machio no papel principal e trilha sonora com Steve Vai e Ry Cooder, o que por si só, já vale o filme.

– Os irmãos Cara de Pau – (1980) – Dois irmãos trambiqueiros (os ótimos John Belushi (R.I.P) e  Dan Aykroyd) passam o filme tentando reunir sua antiga banda de blues para um show de arrecadação de fundos para o orfanato onde cresceram. Trilha ÓTIMA com a banda Blues Brothers, James Brown, Ray Charles e Aretha Franklin. Não é o rock mas é o pai dele.

Sexo, Drogas e Rock ‘n Roll (1986) – Dogs in Space, no original, traz o falecido Michael Huthence (INXS) em uma trama rocambolesca. A trilha sonora é mais legal com clássicos dos 80’s.

Sid&Nancy – O amor mata – (1986) – Gary Oldman encarna Sid Vicious e seu relacionamento suicida com Nancy Spungen. A ótima trilha inclui John Strummer, John Cale, The Pogues e Pray for Rain.

Heavy Metal do Horror – (1986) Sessão da tarde para os metaleiros: Ozzy Osbourne é um padre e Gene Simmons um DJ, numa espécie de trama que lembra O Chamado, só que “suecado” rs.

Gene Simmons entrega a matriz do último trabalho de um ídolo do rock recém-falecido a um de seus maiores fãs, que, depois disso passa a sofrer opressão demoníaca. Adivinhem quem vem ajudar? Father Ozzy!

Divertido, no mínimo. Trilha sonora com os astros citados.

Histórias Reais (1987) – Outra bizarrice de David Byrne que mais parece um episódio de Além da Imaginação. Participação do John Goodman e trilha sonora do Talking Heads, é claro.

A Pequena Loja de Horrores (1986) – Comédia musical com atmosfera B IMPECÁVEL. Plantinha bizarra faz loja falida ter sucesso novamente, mas sofre estranhas mutações durante o processo. Com os impagáveis Rick Moranis e Steve Martin, no papel do dentista sádico que permeia meus pensamentos até hoje, quando me sento na maldita cadeira para tratar dos dentes.

Pink Floyd – The Wall (1982) – Filme homônimo ao famoso disco da trupe britânica, dirigido por Alan Parker que emprestou um tom psicodélico e até avant-garde, para a época. Com participação de Bob Geldof (alguém pode me dizer no que o Bob Geldof NÃO ESTÁ envolvido?)

Home of the Brave (1986) – Manifesto cultural encabeçado por Laurie Anderson. Trilha com Lou Reed, entre outros cools. Cabeçudaço.

Birdy – Asas da Liberdade (1985) – Filme de Alan Parker com Michael Modine e Nicolas Cage. Trilha sonora de Peter Gabriel, que também compôs a trilha de A Ultima Tentação de Cristo, de Martin Scorcese, um de meus filmes prediletos, by the way)

Anos de Rebeldia (Out of the Blue – 1980) – Eis que depois de Easy Rider, Dennis Hopper deu pra achar que era diretor e que entendia de rock. (se bem que ele fez Colors, as cores da violência, que eu acho bom…) Diz ele que o filme foi inspirado na canção Hey, hey, my, my de Neil Young, mas, sei lá. Trilha recheada de referências, desde Elvis até punk.

Easy Rider (1969) – Arquétipo do Road Movie que surgiu ainda no meio da onda hippie. Muito sexo, drogas e rock’nroll. Falando nisso, trilha sonora com Jimi Hendrix, The Byrds, entre outros. Clássico.

American Graffiti (Loucuras de Verão) – 1973) – Sim, George Lucas existia antes de Star Wars e dirigiu American Grafitti, uma espécie de Beleza Americana dos anos 50. O retrato de uma geração e uma época. Trilha sonora recheada de clássicos do rock na virada dos 50 para os 60. Cult.

Paris, Texas ( 1984) – filme lírico de Wim Wenders, apesar de se passar no clima austero do deserto Destaque para a trilha sonora maravilhosa de Ry Cooder e suas slide guitars.

Pat Garret e Billy the Kid – (1973) – Wester intenso. poético e violento com trilha sonora de Bob Dylan (que tb atua no filme) Ah, dirigido por Sam Peckinpah, do célebre – Meu Ódio Será Sua Herança.

Repo Man, a onda punk – (1984) – Suspense policial pós punk apocalíptico em que Emilio Estevez é o repo-man, homem que recupera os automóveis que foram comprados, mas não pagos. Trilha sonora magnífica encabeçada por Iggy Pop, Clash, Circle Jerks entre outros. Não tem NADA a ver com o filme Repo Men, com Jude Law e Forest Whitaker que chegará às telas este ano ainda.

Absolute Beginners  (1986) – Meu lindo e maravilhoso Bowie é um empresário ardiloso na Londres de 58 que tenta  embrenhar o protagonista Eddie O’Connel em suas tramas  desonestas. É fraquinho, meio novela-da-Globo, mas tem como carro-chefe a canção homônima do meu ídolo.

Apenas um gigolô  ( Just a Gigolô, 1979) – Farsa político-musical com Bowie, agora em um momento melhor. Este filme fica ainda melhor a medida que o tempo passa. Entre os rapazes que trabalham para uma famosa cafetina (a incrivelmente incrível Marlene Dietrich) está o atrapalhado Bowie, soldado covarde que foi considerado herói por uma casualidade na Alemanha do final da Primeira Guerra Mundial. Filme irônico com relação ao nazismo e com trilha do Bowie.

Cry Baby ( 1985) – Ricos caretas X pobre rebeldes. No lugar de James Dean, Johnny Depp. Trilha sonora cheia de clássicos do rock e participação de Iggy Pop como o estranho tio de Depp.

E por enquanto é só senão esse post fica MUUITO LONGO!

Em breve, cenas do próximo capítulo ou Rock em trilhas vol II – Anos 90 e 00!

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Arremedo de vida

15 novembro, 2009

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A cada dia que passa, eu, uma pobre e leiga observadora da natureza humana, ao invés de me surpreender fico cada dia mais…cínica e entediada com relação a nossa sociedade.

O mundo, que já era velho e sem porteira, agora está chato de galochas…e fedendo. Um lugar sacal de se viver. Implacável,  intolerante. Hipócrita, com essa onda interesseira e egoísta de politicamente correto que deixa todo mundo com medo de ser mal-interpretado e morto por conta de um comentário impulsivo e verdadeiro, o mundo está cada vez mais homogêneo, higienizado, pasteurizado, asséptico, enfadonho.

Foi imaginando  um futuro não muito brilhante para a humanidade que acabei me deparando com o filme “Os Substitutos”  (Surrogates- 2009) do diretor Jonathan Mostow ( O Exterminador do Futuro 3 – a Revolta das Máquinas). O filme foi baseado em uma história em quadrinhos em 5 edições, homônima, escrita por Robert Vinditti e ilustrada (muito bem ilustrada, aliás) por Brett Weldele, publicada pela Tops Shelf Productions , nos EUA em 2005/2006  e que conta com a participação do canastrão Bruce Willis em sua adaptação para as telonas.

Ao ler a sinopse, tive mais vontade de fazer o DVD de freesbie do que de assistí-lo, mas, como se tratava de uma HQ adaptada, eu, colecionadora e fã, não resisti e acabei assistindo.

The Surrogates tem como inegáveis referências demais obras da ficção científica que tem como prerrogativa um futuro distópico e surrel, tal como  1985 de George Orwell, Eu, Robô de Isaac Asimov, Blade Runner de Philip K. Dick, até o doce Wall-e da Disney/Pixar e Minority Report (também de K. Dick, adaptado para o cinema e dirigido por Steven Spielberg, em 2002).

A premissa é interessantíssima: No anos de 2025, os andróides já substituem os humanos em praticamente tudo. Ele funcionam como um tipo de “avatar”, corpos robóticos controlados mentalmente por humanos que, por medo de exposição aos perigos da vida real, trancafiaram-se em suas casas e através de um software controlam as ações e pensamentos de seus andróides “substitutos”, numa espécie de um live action de “Second Life”.

Por conta disso, os substitutos são perfeitos em tudo, aparência e comportamento. Ao andar na rua, você só se depara com super modelos e galãs de cinema, invencíveis, ilimitados, todos educadíssimos e com atitudes e comportamento totalmente premeditados por seus “players”. É o império da ordem e da perfeição. É um jogo, onde perdedores não existem. 

Os grandes traumas que assolam a raça humana estão todos resolvidos: simplesmente não existem. O sexo flui. Com a autoestima elevada, todo mundo se dá bem, pois ninguém mais corre o risco de fazer feio com um pretendente, que aliás, pode não ser o retrato fiel de seu andróide. Um homem velho, gordo e feio pode ter como “substituta” uma deliciosa modelo e conquistar um bonitão na noite, numa espécie de ilusão em massa, consentida. E quem vai ser o louco de querer saber a verdade?

Ignorância é felicidade.

Enquanto isso, humanos contrários à onda de substitutos vivem em guetos, do velho modo: reproduzindo-se e expondo seus corpos às agruras da vida. Vivendo a vida de verdade, e lutando contra a ameaça de coexistir com super-seres.

Mas (porque sempre existe um mas) a utopía da vida perfeita começa a ruir quando um terrorista humano desenvolve uma arma que quando disparada sobrecarrega o andróide, fritando o cérebro de seu comandante humano respectivamente. Ou seja: os humanos não estão mais a salvo no refúgio de suas casas.

Cabe ao agente do FBI interpretado por Bruce Willis, para variar, salvar a humanidade ao se deparar com problemas muito mais complexos  do que descrevia a vã filosofia da sinopse da película.

Recomendo fortemente.

O filme.

E a viver a vida também, claro : )

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X-Men Origens – Wolverine

21 abril, 2009

Bem, vocês estão cansados de saber que sou colecionadora ávida de quadrinhos, desde os meus 8 anos de idade, sou repórter e colaboradora do programa – Banca de Quadrinhos e colaboradora da revista Mundo dos Super-Heróis, ganhadora por dois anos consecutivos do prêmio HQMIX de melhor publicação sobre Quadrinhos no Brasil.

Não que isso signifique muita coisa, mas alguma coisa deve significar quando, por exemplo, eu postar aqui algum texto referente a quadrinhos (dê um search em “comics” ou “Quadrinhos” lá embaixo, na ferramenta de search do blog).

Espero que haja portanto, alguma credibilidade, ao menos na abordagem desse assunto em especial.

Passei esse feriado de 21 de abril em SP mesmo e aproveitei para curtir o gostoso do Hugh Jackman: Vi Australia e X-Men – Origens: Wolverine.

Sobre o primeiro, me abstenho de maiores comentários. É aquela coisa Baz Luhrman: história de amor, tragédia, música e final feliz, tudo isso acompanhado de uma produção de cair o queixo. The End.

Mas é claro que eu estava ansiosíssima para assistir X-Men Origins, que conta a história de um de meus heróis prediletos: Logan, codinome: Wolverine e que foi devidamente BAIXADO da internet, of course.

Sou uma marvete declarada, sempre preferi os personagens e histórias da Marvel às de sua concorrente, DC Comics, justamente porque eles parecem mais próximos dos leitores do que os super aliens vindos de galáxias distantes propostos pela DC.

Bem amigos, eu vou dizer: a Marvel é bem mais poderosa do que eu pensava.

Ela tem o poder absoluto de FODER com os filmes dos meus personagens prediletos, a saber: Demolidor, Elektra e agora, Wolverine.

AINDA BEM, que o Batman é da DC, se livrou de figurar tal lista. Aliás, costumo dizer que Batman é o personagem mais Marvel da DC, mas enfim…

Acho que o diretor de X-Men Origins levou o termo “arte sequencial” muito a sério ao dirigir tal película.

Sim, porque o filme é um amontoado de cenas de ação que deveriam de alguma forma contar a origem de Wolverine, mas não existe fato relevante e elucidativo que ligue uma cena à outra.

Depois parei e pensei: “será que não estou sendo nerd xiita, por saber exatamente toda a história do Wolverine, inclusive suas reviravoltas e histórias que não fazem parte da cronologia oficial do personagem?”  

Sendo assim, tentei enxergar a coisa do ponto de vista do espectador leigo, que não faz a mínima idéia de onde surgiu aquele cara maluco, peludo, que quer passar a faca (ui!) em todo mundo no filme dos X-MEN.

E aí percebi uma coisa mais grave ainda.

Quando começou nos quadrinhos, Wolverine não passava de um sidekick (ou coadjuvante) criado por Len Wein, que estrou em uma história do Hulk em 1974.

Anos mais tarde, foi integrado aos X-Men pelo roteirista David Cockrum e ganhou vida e uma história interessantíssima nas mãos de um dos grandes roteiristas do grupo mutante: Chris Claremont.

Segundo a cronologia oficial, Wolverine é um mutante que, além de grande força física,  possui um fator de cura poderosíssimo, por conta disso não envelhece e não adoece, além de um faro e instintos apurados como os de um animal e que ainda garras ejetáveis, provenientes de seu próprio sistema ósseo.

Seu passado é obscuro, mas existem registros de que se tratava de um cidadão canadense e que foi um grande soldado que lutou em inúmeras batalhas, desde a 1ª Grande Guerra.

Depois de sofrer algumas perdas e agruras da vida, decidiu ser ermitão, isolar-se do mundo, de tudo e de todos. Sendo assim, suas poucas aparições sociais se davam em algum boteco de lenhadores onde gastava praticamente todo o seu dinheiro ganho em algum bico onde atuava como trabalhador braçal.

Ao descobrir seu dom, um coronel do exército que tinha a idéia de transformá-lo em um super-soldado o SEQUESTRA e o submete à uma experiência inédita: reveste seu esqueleto com a liga metálica mais poderosa e dura da face da Terra, o Adamantium (tal substância é ficctícia).

Durante o processo, dolorosíssimo e feito à sangue-frio, a memória de Logan (nome que consta em sua plaqueta de identidade do exército) é total e completamente apagada. E ele desperta do processo uma criatura ainda mais raivosa, angustiada, perdida, violenta e obscura do que quando foi pego.

Em um acesso animalesco de raiva ele dizima a equipe de médicos que o tomou como cobaia e sai pelas estradas gélidas do Canadá e…bem, a partir daí vocês já conhecem.

Esse é, na verdade, o charme e o brilhantismo de Wolverine. Ele não sabe quem ele é, de onde veio, como se transformou no que é e nem porque está aqui. Ele é um homem que precisa controlar seus instintos animalescos a todo momento e a qualquer custo, porque é uma máquina de matar. “É o melhor no que faz, e o que ele faz não é nada bonito”.

Anos mais tarde, nos anos 90, a Marvel lança o encadernado ORIGINS que fez um tremendo sucesso quando foi lançado, mas não convenceu os fãs do carcaju*, onde conta a origem verdadeira de Logan, que na verdade se chama James Howlett e remonta ao séc XVII com algumas revelações surpreendentes e outras completamente indiferentes para a cronologia do herói.

Bem, depois desta breve explicação sobre a história de Wolverine, agora faz sentido o que vou dizer.

No filme, ele NÃO PERDE a memória. E isso, convenhamos, muda com-ple-ta-men-te a essência do personagem. E o faz parecer um babaca com crises de identidade.

Na boa, eu não sou aquele tipo de nerd que espinafra todo e qualquer adaptação dos quadrinhos para as telonas, muito pelo contrário, até incentivo e compreendo que muita coisa precisa ser adaptada na transição de uma mídia para outra, mas, falando como produtora, jornalista e colecionadora de quadrinhos: mudar a essência de um personagem NÃO é, de forma alguma, uma dessas coisas.

O mesmo aconteceu com Demolidor, que nos gibis foi treinado em suas habilidades especiais e nas artes marciais por um mentor, que por acaso foi o mesmo de Elektra, um velho cego chamado Stick. E isso  é crucial para sua história.

Ainda falando de Elektra e tomando a adaptação cinematográfica como (mau) exemplo, praticamente toda sua história foi alterada. Mas um ponto culminante em sua cronologia e que define a personalidade e motivação da personagem como a morte de seu pai, por exemplo foi total e completamente corrompida, não tendo nada sido mantido da versão original.

Coisas assim, me chateiam.

Porque o público que por acaso se interessar pelo personagem e resolver adquirir os gibis com suas histórias, vai se decepcionar deveras, além de ficar completamente perdido em todos os sentidos.

Muito, muito ruim a Marvel concordar com tais adaptações e não entender que, não basta divulgar e difundir seu personagem, é preciso divulgar o personagem VERDADEIRO.

Porque este  sim, terá apelo junto aos fãs o que consequentemente aumentará venda de merchandising, o que parece ser o real motivo de lucro da empresa, pelo visto.

Mas, acima de qualquer  margem de lucro deveria haver ao menos respeito. Pelos criadores, ilustradores, mas principalmente, pelos fãs.

Por essas e outras coisas que X-Men Origens: Wolverine é uma MERDA total.

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Quem vigia os cineastas?

12 janeiro, 2009

Quinta-feira passada fui convidada para um rabo-de-galo (pq cocktail é coisa de gente fresca) promovido pela Paramount Pictures para a apresentação de  traillers de 30 min Star Trek (dirigido por JJ Abrahams) e Watchmen (Zack Snyder) com comentários dos mesmos.

Nerd Pride

Olha, eu tenho que dizer: ambos os filmes, pelo que vi, são estupendos..ao menos em termos de efeitos especiais. Prevejo uma época em que talvez o cinema chegue ao seu limite. Talvez no futuro, paguemos para participar de filmes in loco, porque daqui a pouco não sei quais serão as tecnologias usadas para impressionar o público.

Pelo jeito Star Trek deixou para trás aquelas histórias modorrentas e super nerds, feitas para amantes da série Jornada nas Estrelas e engata uma aventura cheia de ação e adrenalina. O elenco é jovem, totalmente novo, mas há a participação de Leonard Nimoy, que lhe serve de grande e devida homenagem.

(Para quem não sabe, ele foi durante muitos anos o Dr Spock. Aquele das orelhas…lembram-se?)

Eu fiquei sem fôlego com asequência em que o Capitão Kirk e um tripulante lutam contra os romulanos em uma plataforma em Vulcano. Estupenda. De aplaudir de pé. Puro entretenimento.

Nat King Cole e Bob Dylan num futuro alternativo

Bem, mas é claro que eu estava ali por conta de Watchmen, o filme mais esperado por mim esse ano. 

Para quem não sabe, trata-se da adaptação da graphic novel homônima de Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons considerada a bíblia dos quadrinhos e um marco importante na evolução dos quadrinhos nos EUA, introduzindo uma nova linguagem e abordagem às HQs além de lidar com temática de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais.

O sucesso de crítica e de público ajudou a popularizar o formato conhecido como graphic novel (ou romance visual), até então pouco explorado pelo mesmo mercado. Diz-se que Watchmen foi, no contexto dos quadrinhos da década de 1980 – juntamente com The Dark Knight Returns de Frank Miller e Maus de Art Spiegelman — um dos responsáveis por despertar o interesse do público adulto para um formato até então considerado infanto-juvenil.

A série foi galardeada com vários Prêmios Kirby e Eisner, além de uma honraria especial no tradicional Prémio Hugo, voltado à literatura. É, até o momento a única graphic novel a conseguir tal feito.

Watchmen também é a única história em quadrinhos presente na lista dos 100 melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923.

Bem, com um currículo desses é para se ter medo de uma adaptação cinematográfica. Não? Eu tenho medo.

 Tenho medo porque ela é muito densa, é pura filosofia em quadrinhos…tenho medo que isso se perca em meio aos efeitos especiais e limites de metragem e que o grande público, (mal) acostumado com adaptações de HQs comerciais para o cinema, onde o herói sempre vence e é o último bastião da justiça e da verdade, não entenda que Watchmen se trata de uma “desconstrução” do mito tradicional do herói.

Mas tenho que dizer que, fora essas borboletas em meu estômago, o visual de filme é matador.

Logo na primeira sequência, na morte de um dos personagens principais, a sucessão de cenas violentas tem como BG Unforgetable, de Nat King Cole. A sequência é IDÊNTICA à dos quadrinhos. Sem tirar nem por. Mérito de Zack Snyder, aliás, que fez o mesmo com 300.

Logo depois, um resumo conta a origem dos vigilantes em questão ao som de “The Times are -a-changing” na voz de Bob Dylan.

Mais mega ultra pop do que o rótulo da Coca-Cola.

Todo o visual do filme, desde os filtros usados, figurino, maquiagem, locações, fotografia, tudo, tudo é MUITO bonito e fiel à obra original.

Acho que vai rolar.

Apesar do meu medo.

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Eu e o cinema, o cinema e eu

17 dezembro, 2008

SENIL

Quando, num filme com Leonardo diCaprio (Rede de Mentiras), você acha o coadjuvante

extremamente MAIS INTERESSANTE, CHARMOSO E BONITO do que o mocinho

É um sinal CLARO de que a idade chegou, inevitavelmente.

CONCLUSÃO

Bem, que eu AMO Woody Allen, não é nenhuma novidade, e Vicky Cristina Barcelona só serviu para que eu renovasse meus votos.

O filme me tocou em diversos aspectos, mas principalmente porque o núcleo espanhol me lembrou muito minha família (que é de origem espanhola – o mesmo acontece quando assisto Almodóvar), Barcelona é mostrada como um local deslumbrante e despertou em mim uma vontade desesperada de visitá-la, os diálogos de Allen continuam afiadíssimos, principalmente os que comparam a sociedade americana e a européia em geral, fabulosos. E o roteiro do filme me fez chegar à conclusão de que, se uma relação à três fosse harmoniosa e necessária para o equilíbrio emocional do casal, eu toparia na maior tranquilidade.

Principalmente se “a outra” fosse a Penélope Cruz…hihihi

NOCAUTE

Beyoncè Knowles disse que quer viver a Mulher-Maravilha no cinema.

Bem, além de ser a primeira Mulher-Maravilha negra (lembrem-se de que, nos quadrinhos, Diana Prince é uma amazona da ilha grega de Themiscyra) ela vai ser a primeira Mulher-Maravilha a ser nocauteada pelos próprios peitos! Pow!

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Aranha Emo

7 maio, 2007

Fomos assitir Homem-Aranha 3, no domingão, depois de almoçar capelleti na mamma. Me & Bob McGee.

O cinema estava relativamente cheio, sentamos ao lado de um simpático garotinho de 9 anos que nos alugou veementemente durante todo o tempo da projeção, aliás. Mas, isso não nos incomodou, aproveitamos para catequizá-lo nos quadrinhos : ) e para divulgar a revista na qual trabalhamos, of course (Mundo dos Super-Heróis).

Homem-Aranha 3 é, sem dúvida, o mais fraco da trilogia. Acho que, por ser o último, a história ficou meio confusa, muito cheia de personagens. Decerto Sam Raimi quis queimar todos os cartuchos e escolheu as figuras mais interessantes do HA para dirigir, antes que outro diretor assumisse a franquia, já que seu contrato (e o dos atores) chegou ao final. 

Mas o mais engraçado é que isso não torna o filme ruim de forma alguma.

Vilões clássicos das histórias do Aranha, Homem Areia (interpretado por um incrivelmente bombado Thomas Hayden-Church) e Venom (Topher Grace, o hilário Eric Foreman de That 70’s Show), sem falar do Duende Macabro,  (James Franco)  filho do Duende Verde, protagonizam cenas assustadoramente vertiginosas de ação, daquelas –  com o perdão do lugar comum – de tirar o fôlego, MESMO. De fazer você esmagar a mão do namorado, ou na falta de um, o braço da poltrona.

A velocidade e o dinamismo das cenas é tamanho que você chega a ficar zonzo. A movimentação de câmera também é bem legal, com ricochetes, planos inusitados e a dispensa do “camera still” ou do tripé (o que faz com que as imagens fiquem levemente tremidas) e  dá aquela sensação de “realidade”. Achei essa linguagem sofisticada para um mero  filme baseado em HQ, muito boa.

Por falar em HQ, como já devo ter mencionado em textos anteriores que, em minha opinião, oAranha é a MELHOR adaptação do gênero para o cinema. Sem discussões. Desde o primeiro filme, eu que sou leitora e colecionadora regular (leia-se: nerd), tive a sensação de que as histórias haviam simplesmente saltado das páginas dos quadrinhos para a telona. Perfeito. E isso continua no 3.

Dispenso purismos e nerdices que ditam que um filme baseado em HQ precisa ser IGUALZINHO às revistas porque tratam-se de linguagens completamente diferentes (apesar de ambas serem seqüenciais). Há mudanças significativas sim, como por exemplo, o fato de Gwen Stacy (Brice Dallas-Howard) aparecer só agora (nos quadrinhos, ela é anterior à M.J.) mas essa, entre outras mudanças, não influenciam em nada a história. HA continua sendo pura HQ no cinema.

Por sua vez, os efeitos especiais estão animalescos. Destaque para as sequências em que Flint Marko se transforma em Homem Areia e o simbionte toma o corpo do Aranha e de Topher Grace, transformando-o no Venom. Muito, muito bonitas. A fotografia também é bem legal e é claro, viva a computação gráfica!

Sam Raimi, no final das contas, é ótimo para esse tipo de filme porque sabe dosar magistralmente comédia, ação e drama. Mas com certeza, dentre todos, Homem-Aranha 3 é o mais dramático.

Ele lida com sentimentos densos como vingança, a força destrutiva do ódio, orgulho, abnegação, amizade verdadeira, bondade e maldade inatos e o poder transformador do perdão. Que só te transforma quando você perdoa a si próprio e aos outros.

Lida também com erros. O fato de que todos erramos e de que o Homem-Aranha, apesar de ser um super-herói, também é falho, fraco em alguns aspectos.  Ele é humano, afinal.

A parte em que o simbionte – um alienígena que “gruda” no corpo de Peter fazendo aflorar seus piores sentimentos  – domina o bom moço é ao mesmo tempo engraçada, totalmente puritana (americana, claro) e densa. Só acho que eles exageraram na caracterização. Quando está sob domínio do ser estranho, o inocente e angelical Peter Parker ganha cabelos pretos, uma leve franjinha caída na testa e olhos levemente escurecidos por kajal Ou seja, vira EMO. Meio forçado.

Analisando o total, me emocionei, mas o roteiro poderia ser melhor. Aranha é um personagem apaixonante e repleto de dilemas, um herói dentro de um homem, um homem dentro de um herói. Ver um personagem que te acompanhou durante a infância e adolescência ganhar vida no cinema é sempre, sempre bom, apesar de eleger o 2 como meu predileto.  Ah! Stan Lee (criador do Aranha)  aparece mais dessa vez e tem até um diálogo com Peter Parker. O velhinho merece.

O resto dos exageros (e são muitos) são totalmente perdoáveis, afinal é quadrinhos bêibe. Deliciosamente irreal e altamente simbólico. (leiam O PODER DO MITO!)

De real já basta a vida, certo? Às vezes acho que ela é real até DEMAIS…

Enfim, espero que você goste.

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300 de Esparta: a vingança das fêmeas

5 abril, 2007

300 de Esparta é perfeito.

Fora os erros históricos, o filme é total e completamente idêntico à graphic novel de Frank Miller e Lynn Varley (que a Devir relançou, aliás, num belo formato capa dura “wide screen” – corra atrás)

É sim, MUITO violento, MUITO visual, MUITO exagerado e MUITO bom.

Gostei, no entanto, do destaque que eles deram à figura da mulher na sociedade espartana, o que não está no gibi (rá! sacou? sacou?)

Agora, destaque MESMO merecem os belos corpos malhados dos soldados espartanos.

300 de Esparta é a vingança de todas as mulheres à peitolas de Scarlet Johansson’s e bundas de Monica Belucci’s que somos obrigadas a aturar desde sempre…

Os corpos do elenco são milimetricamente PERFEITOS, com atenção especial para o protagonista Leônidas (Gerard Butler) e seu tanquinho (tanquinho?) fe-no-me-nal.

Garotas, apenas imaginem: 300 guapos de coxonas duras (só as coxonas…infelizmente) barrigas talhadas à mão, bíceps super-inflados, suando, portanto espadas e lanças, urrando a plenos pulmões e usando cuequinhas de couro (ui!)

É um sonho? Não, é 300 de Esparta, baby.

Vai assistir, vai…você vai ficar… chocada.

A e olha que legal! Todos os filmes vencedores do Oscar. TODOS.