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Saia curta

30 outubro, 2009

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Foi-se o tempo em que tudo o que recebíamos ao vestir uma saia curta eram assovios,  frases sussurrantes na rua e broncas do pai, em casa.

Agora a turba insandecida e estúpida acha demodé essas sutilezas. Ao invés disso, gritam feito caçadores pré-históricos prontos para abater a presa e encurralam a mesma numa sala de aula de faculdade só porque ela subia a rampa com uma saia curta o bastante capaz de mostrar os fundilhos aos incautos que jaziam no nível mais baixo…no sentido amplo da frase.

Como classificar tal ato?  Animalesco, decerto, mas ao mesmo tempo, estranho.

Não é essa a geração que tem mais acesso à pornografia nos últimos tempos? Não é essa a geração da ficada, do sexo casual, do namoro sem compromisso, do casamento aberto?

Que porra de geração é essa, afinal, que chama de PUTA uma garota que usa uma saia curta? Em que fatos eles se basearam para empregar tal alcunha à coitada?

Fico aqui pensando: essa é uma geração de espectadores. Tem acesso a tudo, mas não experimenta nada.

Parecem recalcados, apegados à valores tão antigos que provavelmente tenham sido combatidos por seus pais (que mais tarde acabaram cedendo a eles).

São preconceituosos, impiedosos, descerebrados, covardes, fúteis, capazes de criar alvoroço por algo tão medíocre e de cunho tão pessoal, mas sem a mínima paixão para fazer o mesmo e lutar por algo verdadeiramente útil que cause alguma mudança em seu pequeno e podre microcosmo.

Ah, sei lá. O que falar de animais como esses?

E isso se deu em uma faculdade, hein? Reduto da classe média abastada de nosso País.

É a primeira trombeta do Apocalypso, minha gente!

E ainda faltam seis…

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A queda

7 outubro, 2009

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Ele chegou repentino e enérgico, tal qual uma Fênix recém saída das chamas. Ele estava totalmente vestido de preto e segurava uma cruz onde meu nome entalhado ardia.

Ele adentrou o recinto banhado em todo seu esplendor e glória.

Não pude acreditar no que os céus haviam finalmente me enviado.

Ele disse gentilmente, movendo seus lábios carnudos: – Dance pra mim, fanciulla gentil… E disse: – Ria um pouco, pois eu sou capaz de fazer seu coração bater… Disse mais: – Voe comigo, toque a face do verdadeiro deus…

E então eu chorei, imersa e tomada de alegria e amor…

Pois eu havia rezado por dias e noites a fio, a fim de que o Senhor me mandasse um sinal, procurei  em todo canto algo que trouxesse paz ao meu coração negro e vazio…

Oh, meu amor persistirá até que o leito do rio seque, e meu amor durará muito mais do que a o brilho do sol atravessando o do céu anil, oh meu amor sobeja a medida que o dia passa…

mas ele foi embora e agora…o que me resta?

Pois eu chorei por dias e noites a fio, a fim de que o Senhor me mandasse um sinal…ele está perto? Está longe?

Oh, traga paz ao meu coração negro e vazio…

Pois hoje, sim… amaldiçoo o dia em que te conheci. Ah hoje, aperto meus olhos mirando a mesma  porta pela qual você adentrou e  maldigo o dia em que te olhei nos olhos pela primeira vez.

Hoje murmurando entredentes, difamo o dia em que meus lábios encontraram os seus pela primeira vez…ah hoje eu grito e  abomino o dia em que fizemos amor…

Pois seu suor tatuou minha língua. Sua saliva envenenou meu sangue. Seu abraço entoxicou o meu corpo.
 
E o seu desprezo secou minha alma.

Conto baseado na canção The Dancer – PJ Harvey, do disco “To Bring You My Love” 1995 , dedicado à Luiza e à todas  que se apaixonaram…e um dia se desapaixonaram, de um homem.

Dois momentos definitivamente mágicos e marcantes na vida de toda mulher.

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Pequenas verdades

9 setembro, 2009

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Unplug yourself

3 setembro, 2009

Semanas atrás aconteceu o que talvez tenha sido o primeiro suicídio online que tivemos notícia no Brasil.

Uma mulher de 33 anos, mãe de uma criança de 4, separada, ótima profissional, MBA em Harvard, bem de vida e, por um lúgubre acaso, ex-funcionária da empresa em que trabalho, postou sua última e derradeira mensagem através do site de relacionamentos Twitter, despedindo-se do ex-marido, dos amigos e deste mundo cruel, suicidando-se logo depois, tomando uma dose cavalar de remédios e enterrando uma faca no peito.

Parece uma adaptação barata de um romance de Nelson Rodrigues para os tempos de internet, mas não é não, meu povo.

É verdade. Infelizmente.

Isso me fez pensar, é claro, em uma torrente de coisas, idéias, teorias, conjecturas, conclusões e tudo me levou a uma única dedução : ela era sozinha. E isso, encabeçando uma outra cadeia imensa de fatos, sentimentos e  escolhas a levou a tomar esta trágica decisão.

Grande coisa. Todos somos sós, não é mesmo? Todos trazemos dentro de nós certa dose de solidão. Ela é necessária para que alcancemos o tão almejado e delicado equilíbrio emocional, inda mais nesses tempos doidos.

Acontece que esses tempos doidos dos quais tanto falo, justamente esses em que vivemos, onde mais do que nunca temos pleno e total acesso à qualquer tipo de informação e onde ferramentas que colaboram para a convivência, relacionamento, discussões e colaborações são cada vez mais usadas pelas pessoas, talvez figurem entre os tempos mais solitários que a humanidade já viveu.

Por incrível que pareça, quanto mais nos relacionamos virtualmente, menos isso acontece na vida real.

O fato da moça ter comunicado seu SUICÍDIO via Twitter foi a maior e mais triste prova disso.

E quanto menos reais os relacionamentos, mais fúteis, efêmeros e inúteis eles serão.

E mais solitários seremos.

Obviamente que, você que me lê nesse instante, deve saber que não é preciso estar desacompanhado para senti-se só. Estar, ficar e sentir-se sozinho pode ser uma experiência prazerosa e produtiva, tudo dependerá do controle do indivíduo sobre a própria solidão. E aí entramos em outra esfera, mais densa, poética e etimológica, a que separa solidão e solitude.

No português o significado das duas palavras ainda se embaralham, mas em inglês a definição de ambas é bem esclarecedora: solidão é estar só por força das circunstâncias. É sentir-se só, isolado, desacompanhado, abandonado. Pode também ser descrita ou sentida como falta de identificação compreensão ou compaixão alheia. “Loneliness”, seria  a palavra inglesa que mais se aproxima de nossa conhecida “solidão”.

Já solitude é o estado de se estar sozinho e afastado das outras pessoas, e geralmente implica numa escolha consciente, onde optamos por ouvir o silêncio de nossa alma, pela calma, pela continência de sentimentos, uma espécie de meditação, isolamento da realidade, mas com finalidade positiva. É o inusual e pouco usado/conhecido “aloneness”.

Assim, estar “alone” e “lonely” são duas condições diferentes. E talvez nossa vítima sofresse de ambas. Uma em razão da outra. Um reflexo de nossos tempos.

Talvez ela simplemente quisesse fugir, mas hoje em dia, nem isso mais é possível. Uma vez na internet, você pode ser encontrado, aonde quer que esteja.

E aí recorre-se ao escapismo. Que em grande escala acaba gerando alienação, perda de foco, falta de auto-conhecimento, ignorância, intolerância com o próximo e…solidão.

Outro dia, lendo uma pesquisa de produto para uma campanha  fiquei estarrecida com estatísticas que apontavam que 60% crianças brasileiras na faixa etária de 7 a 11 anos usavam ferramentas sociais online e games para “escapar” e “aliviar” as pressões do dia-a-dia. (me dou o direito de não citar nomes, nem da campanha nem do orgão de pesquisa)

60%…CRIANÇAS. Pressões do-dia-a-dia. Meudeusdoceu, se crianças de 7 a 10 anos precisam escapar da dura realidade que as cerca ( e eu fico aqui tentando imaginar qual seja) o que nos resta?

Eu trabalho cerca de 10h na frente do computador. Tenho casa, família e tento, a todo custo, manter uma vida social saudável. Eu só consigo isso me desconectando. Só me disciplinando a NÃO ligar o computador quando chego em casa. A não ficar tentada a mandar um e-mail, mais asséptico, muito mais rápido e indolor do que falar com meus amigos ao telefone, do que marcar um encontro.

Fiquei chocada com a morte brutal da garota. E muito mais, com a forma como foi anunciada. Um bilhete suicída virtual. O que pensaram seus amigos, “seguidores” e afins, quando leram a nota? Que ela estava brincando? Que estava sendo sarcástica? Que estava apenas se despedindo frugalmente, depois de um dia excruciante de trabalho?

O que se passa na cabeça deles agora?

Poderiam ter feito alguma coisa? Como não perceberem isso antes? Como poderiam ter impedido tal tragédia?

Não, nada poderia ter sido feito. Não virtualmente.

Apenas pessoalmente.

Mas isso, de se relacionar de verdade dá muito trabalho, não é mesmo?

Desconectar-se é preciso.

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10 agosto, 2009

 

Eu não consigo. Não consigo ser a mulher que o mundo pede que eu seja. Eu não consigo nem ao menos ser a mulher que eu gostaria de ser. Não consigo ser apenas uma mulher somente. Não consigo ser mulher o bastante.

Não consigo deixar de desejar, não consigo deixar de lutar, não consigo deixar de espernear comigo mesma e com o mundo. Eu grito: “não tem que ser assim”! para a multidão monocromaticamente feliz que se aproxima e me pisoteia, impassível. E ainda me surpreendo.

Onde está a tal da velhice, afinal? Ela bem que poderia chegar e acabar com tudo…talvez esteja batendo à porta e eu me fingindo de surda.

Eu tive um pesadelo e ele durou 33 anos, 8 horas e 28 minutos.

E então, eu acordei.

E vi que talvez fosse melhor continuar dormindo.

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Rose

24 julho, 2009

Nunca falei disso aqui, mas há alguns anos, num desses intensos períodos de questionamentos existenciais que me acometem sazonalmente, encasquetei de estudar teologia e me envolvi com um grupo de voluntários de uma ordem religiosa.

Assim como a ordem dos Franciscanos, suportavam (na total abrangência significativa da palavra) marginalizados pela sociedade: mendigos, adictos, prostitutas, travestis, membros de tribos urbanas e quetais.

Depois de um período de treinamento teórico, estudando desde abordagem até defesa pessoal, saímos finalmente a campo. No começo foi bem difícil. Fiquei assustada. Você chega com uma idéia idiota e ingênua de que essas pessoas estão desesperadas por atenção, mas qual! Fomos xingados, achincalhados, vaiados. Fomos alvo de diversos objetos, desde frutas a sapatos de salto vagabundos e garrafas vazias de pinga. Foi assim sucessivas vezes.

Queriam-nos longe dali. Afastávamos os clientes, diziam as putas e os travestis. Afastávamos os compradores, diziam os traficantes. Chamávamos a atenção dos transeuntes e principalmente da polícia, que rondava as cercanias de tempos em tempos, ” para a nossa segurança”, diziam. E isso era ruim para os comuns àquela região.

 Pensei bastante em desistir, mas, apesar do paralelo não ser lá muito feliz, sentia como se estivesse conquistando a confiança de um animal machucado: primeiro as mordidas e, até ele entender que você não quer seu mal, vai um tempo.

E levou realmente um tempo, até que eu conseguisse conversar decentemente com algumas pessoas ali sem que ambas as partes se sentissem ameaçadas.

Fiquei cerca de um ano mais ou menos, frequentando a cracolândia e a região da Estação da Luz duas vezes por semana, conversando com prostitutas, travestis, drogados, ajudando com doações de roupa, remédios, literatura, o que fosse.

Mas, o que mais precisavam, por mais incrível e piegas que pareça, era de amor e atenção.

Conheci figuras interessantes. Um mendigo que havia viajado o mundo, perdido tudo e falava inglês e francês fluentemente, uma prostituta que se orgulhava de ter comprado uma casa própria e pago faculdade para os filhos com a prostituição, uma “família” de travestis (dois irmãos e um pai), um pastor que adorava pregar em prostíbulos, um traficante que possuía uma bala de revólver perdida em seu corpo e muitas crianças que de crianças já não tinham mais nada. Eram velhos em corpos infantis. Haviam tido a inocência arrancada, numa espécie de estupro emocional. A quintessência da tristeza.

Todos eles, sem exceção, adoravam conversar. Adoravam falar, falar, falar. Quase não me preocupava em replicá-los, apenas ouvia, ouvia, ouvia atentamente, ora sorrindo, ora com um gesto, uma onomatopéia que sugerisse interação e atenção.

Foi um exercício pra mim, uma faladeira compulsiva. Foi um exercício em todas as esferas possíveis e imagináveis de minha diminuta existência, aliás.

Um dia fui convidada para uma festa de aniversário que dois travestis fariam para uma colega. Ela estava completando 24 anos de vida e a festa seria na casa deles.

Fiquei reticente em ir. Frequentar a casa já seria um passo significativo no relacionamento e, sinceramente, não sabia se estava preparada para tal. Por outro lado, identifiquei o convite como sendo um gesto de consideração e carinho e resolvi aparecer, munida de presente (comprei uma camiseta com os dizeres “I’m a Star!”, ela adorou!) e violão para animar a festa. Os outros dois transex me levaram até o prédio onde moravam, onde todos estavam nos esperando para cantar parabéns.

Quando avistei o prédio, respirei fundo. Tratava-se do esqueleto de um prédio inacabado, somente a estrutura, completa e inconsequentemente habitada, onde tapadeiras de madeira e restos de material de construção faziam as vezes das paredes. Uma verdadeira favela vertical. Fui em frente.

Enquanto subia os primeiros degraus atenta, com medo de que algum objeto não identificado atingisse minha cabeça e que a escada onde estava pisando simplesmente se esfarelasse, fui observando o que parecia ser, para mim, até então, o verdadeiro retrato da miséria humana.

Algumas pessoas tinham espaços delimitados, outras, no entanto, habitavam em áreas comuns, como corredores. E neles, bebês e crianças de colo choravam, mulheres cozinhavam em fogareiros no chão e homens assistiam televisão, como se estivessem no conforto de uma sala de estar. Famílias de 5, 6, 7 pessoas habitavam espaços de cerca de 50 metros quadrados, a rede elétrica e o sistema hidráulico eram mambembes e precários. Alguns possuiam chuveiros, e os que não, pagavam uma taxa diária aos vizinhos para usufruir de seu banheiro e banhos quentes.

Era surpreendente, mas havia um síndico, que atuava mais como juiz de paz da comunidade do que qualquer outra coisa e tentava resolver problemas do tipo: “essa mulher fica trazendo homens aqui e transando a noite inteira, não deixa a gente dormir em paz!”  ou “Ela roubou o meu frango, por isso eu matei o gato dela” – isso tudo na frente das crianças.

Varais eram estendidos à revelia. Era preciso abrir caminho entre as roupas para conseguir seguir em frente.

Fui subindo e subindo e percebi que haviam verdadeiros apartamentos totalmente acabados, aqui e ali. Com portas de madeira envernizadas, campainhas e tapetes com dizeres: “Welcome”.

“Ah, esses daí são dos traficantes, ninguém mexe com eles” – me disse o transex. Resolvi ser sábia e fazer a mesma coisa.

Chegamos finalmente ao apartamento, um quadrado apinhado de móveis e gente. Havia apenas uma mesa de jantar e um módulo de armários no que parecia ser a cozinha. Não me lembro de ter visto pias ou algo do tipo. Sem geladeiras e fogão também. Não havia qualquer tipo de sofá, só beliches. Cerca de 3, se não me engano, o que tornava o local ainda mais claustrofóbico. Guarda-roupas também eram inexistentes. As roupas jaziam dobradas em malas, no chão e embaixo das camas.

Ali moravam 6 transex, num local onde duas pessoas já se sentiriam acuadas. Todos eles vindos do Nordeste; dois do Maranhão, dois da Bahia, um da Paraíba e outro do Ceará.  Pagavam 300 reais pelo aluguel do “apartamento”, mas me contaram que haviam outros ali que chegavam a 700 reais. Fiquei pensando que tipo de pessoa moraria num local daqueles tendo condições de pagar 700 reais num apartamento.

Me lembrei dos traficantes e juntei os pontos. Mais do que uma casa, aquele local era um verdadeiro esconderijo.

Fui pedindo licença em meio ao amontoado de gente na tentativa de dar os parabéns ao aniversariante e de ter a chance de finalmente entregar-lhe o presente.

E o quadro com o qual me deparei foi talvez o mais chocante que vi até então.

O aniversariante estava sentado em sua cama, recostado em travesseiros e seu rosto, ainda hoje, não consigo encontrar palavras para descrevê-lo.

Fiquei ali parada, com o presente nas mãos, mas não me contive e perguntei, desesperada o que havia acontecido.

Ela havia acabado de sair do hospital. Na noite anterior havia sido espancada por dois policiais que a abordaram na rua com a ameaça de levá-la presa por prostituição.

A barganha foi feita em troca de sexo. Para não levá-la presa, os dois policiais exigiram praticar sexo no transex, o estupraram com o cassetete e depois bateram nele até transfigurá-lo. Seu rosto era uma massa disforme de carne e hematomas. Eu só conseguia identificar a boca porque essa ainda mexia, apesar de faltar alguns dentes.

O transex tinha silicone industrial no corpo e este havia se deslocado em verdadeiras bolotas espalhadas pela extensão de sua pele.

Fui arrebatada dali. Parecia estar no inferno. Apesar disso, todos conversavam alegremente e bebiam refrigerante. Um outro disse que aquilo era comum, que eles eram “vaso ruim” e não quebravam. Comecei a ficar sem ar, dei-lhe o presente e estava prestes a inventar uma desculpa para sair correndo dali, mas senti sua mão na minha e aquilo, de alguma forma, me trouxe de volta à realidade.

Ela sorriu a boca desdentada e o rosto irreconhecível e disse ter gostado muito de eu ter ido ao seu aniversário. Disse que minha presença era importante e que ela estava ansiosa por me apresentar às amigas.

Elogiou minha voz  para as colegas e pediu para que eu cantasse uma canção. Eu enrolei, disse que depois eu cantaria. Na verdade me senti constrangida e pequena ali, incapaz, indefesa, covarde, fraca. Iria começar a chorar se cantasse e não queria isso.

Depois de um tempo razoável, decidi finalmente que precisava ir. Dei-lhe um abraço, pedi para que se cuidasse.

Nunca mais a vi. Nunca mais voltei.

Nunca mais fui a mesma.

Estou escrevendo finalmente isso pois toda vez que me deparo com alguma situação de miséria penso em todos com quem convivi ali. Não consigo deixar de pensar neles.

Seu nome era Rose. Na verdade era Robério ou Rogério, não me lembro bem, mas ela gostava que todos a chamassem de “Rose”.

Era alta, encorpada, cabelos longos pretos encaracolados, sorriso fácil e vaidosa.

E eu espero, sinceramente, que ela esteja bem.

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Desejo, vontade e prática

15 julho, 2009

Trabalhando demais da conta. Este blog está praticamente abandonado. Minha vida social idem.

Preciso ter disciplina. Afinal, perco tempo dormindo da 00h às 6, não é mesmo?

Queria postar algo que li, dia desses e que fez muito sentido pra mim: Muitas vezes desejamos muito algo, mas não temos vontade de fazer esse algo.

Existe uma diferença crucial entre VONTADE e DESEJO: O desejo é dado pela psique, libido, biologia – é um fato fisiológico, natural.

Já a vontade é construída pela consciência, disciplina, interação – é um fato social.

Educação portanto, é a arte de construir vontades.

(Vera Maluf)

Como diria a galera do Information Society (que virá ao Brasil mês que vem e; fato que denuncia minha idade) – Think about it.

Beijos, saudades