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X-Men Origens – Wolverine

21 abril, 2009

Bem, vocês estão cansados de saber que sou colecionadora ávida de quadrinhos, desde os meus 8 anos de idade, sou repórter e colaboradora do programa – Banca de Quadrinhos e colaboradora da revista Mundo dos Super-Heróis, ganhadora por dois anos consecutivos do prêmio HQMIX de melhor publicação sobre Quadrinhos no Brasil.

Não que isso signifique muita coisa, mas alguma coisa deve significar quando, por exemplo, eu postar aqui algum texto referente a quadrinhos (dê um search em “comics” ou “Quadrinhos” lá embaixo, na ferramenta de search do blog).

Espero que haja portanto, alguma credibilidade, ao menos na abordagem desse assunto em especial.

Passei esse feriado de 21 de abril em SP mesmo e aproveitei para curtir o gostoso do Hugh Jackman: Vi Australia e X-Men – Origens: Wolverine.

Sobre o primeiro, me abstenho de maiores comentários. É aquela coisa Baz Luhrman: história de amor, tragédia, música e final feliz, tudo isso acompanhado de uma produção de cair o queixo. The End.

Mas é claro que eu estava ansiosíssima para assistir X-Men Origins, que conta a história de um de meus heróis prediletos: Logan, codinome: Wolverine e que foi devidamente BAIXADO da internet, of course.

Sou uma marvete declarada, sempre preferi os personagens e histórias da Marvel às de sua concorrente, DC Comics, justamente porque eles parecem mais próximos dos leitores do que os super aliens vindos de galáxias distantes propostos pela DC.

Bem amigos, eu vou dizer: a Marvel é bem mais poderosa do que eu pensava.

Ela tem o poder absoluto de FODER com os filmes dos meus personagens prediletos, a saber: Demolidor, Elektra e agora, Wolverine.

AINDA BEM, que o Batman é da DC, se livrou de figurar tal lista. Aliás, costumo dizer que Batman é o personagem mais Marvel da DC, mas enfim…

Acho que o diretor de X-Men Origins levou o termo “arte sequencial” muito a sério ao dirigir tal película.

Sim, porque o filme é um amontoado de cenas de ação que deveriam de alguma forma contar a origem de Wolverine, mas não existe fato relevante e elucidativo que ligue uma cena à outra.

Depois parei e pensei: “será que não estou sendo nerd xiita, por saber exatamente toda a história do Wolverine, inclusive suas reviravoltas e histórias que não fazem parte da cronologia oficial do personagem?”  

Sendo assim, tentei enxergar a coisa do ponto de vista do espectador leigo, que não faz a mínima idéia de onde surgiu aquele cara maluco, peludo, que quer passar a faca (ui!) em todo mundo no filme dos X-MEN.

E aí percebi uma coisa mais grave ainda.

Quando começou nos quadrinhos, Wolverine não passava de um sidekick (ou coadjuvante) criado por Len Wein, que estrou em uma história do Hulk em 1974.

Anos mais tarde, foi integrado aos X-Men pelo roteirista David Cockrum e ganhou vida e uma história interessantíssima nas mãos de um dos grandes roteiristas do grupo mutante: Chris Claremont.

Segundo a cronologia oficial, Wolverine é um mutante que, além de grande força física,  possui um fator de cura poderosíssimo, por conta disso não envelhece e não adoece, além de um faro e instintos apurados como os de um animal e que ainda garras ejetáveis, provenientes de seu próprio sistema ósseo.

Seu passado é obscuro, mas existem registros de que se tratava de um cidadão canadense e que foi um grande soldado que lutou em inúmeras batalhas, desde a 1ª Grande Guerra.

Depois de sofrer algumas perdas e agruras da vida, decidiu ser ermitão, isolar-se do mundo, de tudo e de todos. Sendo assim, suas poucas aparições sociais se davam em algum boteco de lenhadores onde gastava praticamente todo o seu dinheiro ganho em algum bico onde atuava como trabalhador braçal.

Ao descobrir seu dom, um coronel do exército que tinha a idéia de transformá-lo em um super-soldado o SEQUESTRA e o submete à uma experiência inédita: reveste seu esqueleto com a liga metálica mais poderosa e dura da face da Terra, o Adamantium (tal substância é ficctícia).

Durante o processo, dolorosíssimo e feito à sangue-frio, a memória de Logan (nome que consta em sua plaqueta de identidade do exército) é total e completamente apagada. E ele desperta do processo uma criatura ainda mais raivosa, angustiada, perdida, violenta e obscura do que quando foi pego.

Em um acesso animalesco de raiva ele dizima a equipe de médicos que o tomou como cobaia e sai pelas estradas gélidas do Canadá e…bem, a partir daí vocês já conhecem.

Esse é, na verdade, o charme e o brilhantismo de Wolverine. Ele não sabe quem ele é, de onde veio, como se transformou no que é e nem porque está aqui. Ele é um homem que precisa controlar seus instintos animalescos a todo momento e a qualquer custo, porque é uma máquina de matar. “É o melhor no que faz, e o que ele faz não é nada bonito”.

Anos mais tarde, nos anos 90, a Marvel lança o encadernado ORIGINS que fez um tremendo sucesso quando foi lançado, mas não convenceu os fãs do carcaju*, onde conta a origem verdadeira de Logan, que na verdade se chama James Howlett e remonta ao séc XVII com algumas revelações surpreendentes e outras completamente indiferentes para a cronologia do herói.

Bem, depois desta breve explicação sobre a história de Wolverine, agora faz sentido o que vou dizer.

No filme, ele NÃO PERDE a memória. E isso, convenhamos, muda com-ple-ta-men-te a essência do personagem. E o faz parecer um babaca com crises de identidade.

Na boa, eu não sou aquele tipo de nerd que espinafra todo e qualquer adaptação dos quadrinhos para as telonas, muito pelo contrário, até incentivo e compreendo que muita coisa precisa ser adaptada na transição de uma mídia para outra, mas, falando como produtora, jornalista e colecionadora de quadrinhos: mudar a essência de um personagem NÃO é, de forma alguma, uma dessas coisas.

O mesmo aconteceu com Demolidor, que nos gibis foi treinado em suas habilidades especiais e nas artes marciais por um mentor, que por acaso foi o mesmo de Elektra, um velho cego chamado Stick. E isso  é crucial para sua história.

Ainda falando de Elektra e tomando a adaptação cinematográfica como (mau) exemplo, praticamente toda sua história foi alterada. Mas um ponto culminante em sua cronologia e que define a personalidade e motivação da personagem como a morte de seu pai, por exemplo foi total e completamente corrompida, não tendo nada sido mantido da versão original.

Coisas assim, me chateiam.

Porque o público que por acaso se interessar pelo personagem e resolver adquirir os gibis com suas histórias, vai se decepcionar deveras, além de ficar completamente perdido em todos os sentidos.

Muito, muito ruim a Marvel concordar com tais adaptações e não entender que, não basta divulgar e difundir seu personagem, é preciso divulgar o personagem VERDADEIRO.

Porque este  sim, terá apelo junto aos fãs o que consequentemente aumentará venda de merchandising, o que parece ser o real motivo de lucro da empresa, pelo visto.

Mas, acima de qualquer  margem de lucro deveria haver ao menos respeito. Pelos criadores, ilustradores, mas principalmente, pelos fãs.

Por essas e outras coisas que X-Men Origens: Wolverine é uma MERDA total.

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Quem vigia os cineastas?

12 janeiro, 2009

Quinta-feira passada fui convidada para um rabo-de-galo (pq cocktail é coisa de gente fresca) promovido pela Paramount Pictures para a apresentação de  traillers de 30 min Star Trek (dirigido por JJ Abrahams) e Watchmen (Zack Snyder) com comentários dos mesmos.

Nerd Pride

Olha, eu tenho que dizer: ambos os filmes, pelo que vi, são estupendos..ao menos em termos de efeitos especiais. Prevejo uma época em que talvez o cinema chegue ao seu limite. Talvez no futuro, paguemos para participar de filmes in loco, porque daqui a pouco não sei quais serão as tecnologias usadas para impressionar o público.

Pelo jeito Star Trek deixou para trás aquelas histórias modorrentas e super nerds, feitas para amantes da série Jornada nas Estrelas e engata uma aventura cheia de ação e adrenalina. O elenco é jovem, totalmente novo, mas há a participação de Leonard Nimoy, que lhe serve de grande e devida homenagem.

(Para quem não sabe, ele foi durante muitos anos o Dr Spock. Aquele das orelhas…lembram-se?)

Eu fiquei sem fôlego com asequência em que o Capitão Kirk e um tripulante lutam contra os romulanos em uma plataforma em Vulcano. Estupenda. De aplaudir de pé. Puro entretenimento.

Nat King Cole e Bob Dylan num futuro alternativo

Bem, mas é claro que eu estava ali por conta de Watchmen, o filme mais esperado por mim esse ano. 

Para quem não sabe, trata-se da adaptação da graphic novel homônima de Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons considerada a bíblia dos quadrinhos e um marco importante na evolução dos quadrinhos nos EUA, introduzindo uma nova linguagem e abordagem às HQs além de lidar com temática de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais.

O sucesso de crítica e de público ajudou a popularizar o formato conhecido como graphic novel (ou romance visual), até então pouco explorado pelo mesmo mercado. Diz-se que Watchmen foi, no contexto dos quadrinhos da década de 1980 – juntamente com The Dark Knight Returns de Frank Miller e Maus de Art Spiegelman — um dos responsáveis por despertar o interesse do público adulto para um formato até então considerado infanto-juvenil.

A série foi galardeada com vários Prêmios Kirby e Eisner, além de uma honraria especial no tradicional Prémio Hugo, voltado à literatura. É, até o momento a única graphic novel a conseguir tal feito.

Watchmen também é a única história em quadrinhos presente na lista dos 100 melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923.

Bem, com um currículo desses é para se ter medo de uma adaptação cinematográfica. Não? Eu tenho medo.

 Tenho medo porque ela é muito densa, é pura filosofia em quadrinhos…tenho medo que isso se perca em meio aos efeitos especiais e limites de metragem e que o grande público, (mal) acostumado com adaptações de HQs comerciais para o cinema, onde o herói sempre vence e é o último bastião da justiça e da verdade, não entenda que Watchmen se trata de uma “desconstrução” do mito tradicional do herói.

Mas tenho que dizer que, fora essas borboletas em meu estômago, o visual de filme é matador.

Logo na primeira sequência, na morte de um dos personagens principais, a sucessão de cenas violentas tem como BG Unforgetable, de Nat King Cole. A sequência é IDÊNTICA à dos quadrinhos. Sem tirar nem por. Mérito de Zack Snyder, aliás, que fez o mesmo com 300.

Logo depois, um resumo conta a origem dos vigilantes em questão ao som de “The Times are -a-changing” na voz de Bob Dylan.

Mais mega ultra pop do que o rótulo da Coca-Cola.

Todo o visual do filme, desde os filtros usados, figurino, maquiagem, locações, fotografia, tudo, tudo é MUITO bonito e fiel à obra original.

Acho que vai rolar.

Apesar do meu medo.